Barros, P. (1944)

BARROS, Pedro Amor Monteiro (1944). Emídio Navarro. Separata de Discursos Pronunciados na Sessão Comemorativa dos Centenários de Anselmo de Andrade e de Emídio Navarro.

Autor: BARROS, Pedro Amor Monteiro de
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1944

Título completo da obra: Emídio Navarro
Tema PRINCIPAL: Jornalistas e vida profissional

Local de edição: Lisboa
Tipografia: Gráfica Lisbonense (Separata do volume dos discursos na sessão comemorativa dos centenários de Anselmo de Andrade e de Emídio Navarro – Instituto Superior Técnico – 18/12/1944)

Número de páginas: 16

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota da Biblioteca Municipal do Porto: W7 – 12 – 36 (24)
Cota da Biblioteca Nacional: S.C. 13267//7 V.


Esboço biográfico sobre o autor [Não encontradas referências.]
Índice da obra[Não tem índice.]

Contexto em que surgiu a obra: pp. 7-8
Pretexto para a obra: p. 8
Biografia política e jornalística de Emídio Navarro: pp. 8-16


Resumo da obra (linhas mestras)Este livro biografa o jornalista Emídio Navarro por ocasião da sessão comemorativa do centenário do seu nascimento, realizada no Instituto Superior Técnico, a 18 de Dezembro de 1944.

O autor, Pedro Amor Monteiro de Barros, relembra que Emídio Navarro nasceu a 18 de Dezembro de 1844 e que foi o homem que “iluminou a penúltima época da monarquia em Portugal com a sua vigorosa personalidade”. Filho de pais modestos, viveu em Bragança até ir para a Universidade de Coimbra estudar, de onde sai bacharel em Direito. Como teve de viver do seu trabalho, a sua passagem pela velha Universidade não deixou rasto que despertasse grande interesse, dispersa como foi a sua actividade. O acaso do seu encontro em viagem com Ferreira Baltar, o “velho Baltar” do Janeiro, do Porto, fá-lo jornalista.
Segundo Monteiro de Barros, Emídio Navarro tinha um apurado senso crítico, o que mais tarde o levaria a ser atraído pela política. Em 1880-1890, reinava D. Luís em pleno liberalismo constitucional, Navarro ingressava no Partido Progressista. Pela política foi para Lisboa e com António Enes e Mariano de Carvalho fundou O Progresso, onde, mais tarde, “encontraria a sua sanidade mental”.

Conta Pedro Monteiro de Barros que quando Emídio Navarro entrou no Governo como ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria implementou a reorganização do ensino profissional e técnico e decretou, em 1886, a reforma dos Institutos Industrial e Comercial, de Lisboa e Porto. Criou, também, o Instituto de Agronomia e Veterinária e as escolas agrícolas de Coimbra e Santarém. O Reitor da Universidade Técnica, Azevedo Neves, citado pelo autor, defende que o ensino deve muito ao ministro Emídio Navarro, “que iniciou a época de mais brilho no ensino técnico em Portugal”.

Tendo-se afastado do Partido Progressista, e já desvinculado da obediência partidária, Navarro continuou a luta no Novidades, o jornal mais apreciado de então e onde pontificava a política. Nas colunas do Novidades é que o talento do jornalista “desabrochou”. Para Monteiro de Barros, Navarro apresentava destreza, vigor, riqueza dos conceitos e forma primorosa de escrita, qualidades que fizeram famosos os seus artigos, “escritos em meia hora, no meio do frenesim da sala de redacção”.
Um tanto epicurista, Emídio Navarro, só deixou um livro, “Quatro dias na Serra da Estrela”. O relato da sua viagem através da serra com os companheiros Sousa Martins (Professor na antiga escola Médica) e Carlos Tavares (que lhe viria a suceder na cátedra) é expressivo e ligeiro.

Durante o ministério de Dias Ferreira – Oliveira Martins, de 1892 a 1893, Emídio foi nomeado ministro de Portugal em Paris.
Diz dele o autor que enquanto homem Emídio Navarro não foi nem santo nem demónio, mas apenas uma pessoa “como todos nós”. As suas qualidades de carácter eram evidentes.

Monteiro de Barros relembra, a encerrar o seu texto, que alguém disse que um gentleman “era todo aquele que tendo na algibeira onze escudos, fosse capaz de dar dez de esmola, ficando somente com um escudo para o bilhete do eléctrico”. Pois então, para o autor, Emídio Navarro foi um gentleman.


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Fernando Miguel da Costa Ferreira
E-mail: ff_16564@hotmail.com; ffradiolinear@gmail.com
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Jornalismo UFP,
27/05/2010, 10:02