Quadros, L. (1949)

QUADROS, Luís (1949). Falta Uma Escola de Jornalismo em Portugal?

Autor: QUADROS, Luís de
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1949
Título completo da obra: Falta uma Escola de Jornalismo em Portugal?
Tema principal: Ensino do Jornalismo
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Oficinas Gráficas da Gazeta dos Caminhos de Ferro
Número de páginas: 24

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Nacional: L. 39040//1 P.
Cota na Biblioteca Municipal do Porto: J3-1-215


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Nasce a 18 de Julho de 1918, de nome Luís de Melo Giraldes Caldas e Quadros, em Castelo Branco. Filho de um combatente do exército, aos quinze anos decide integrar a organização académica anti-comunista «Acção Escolar Vanguarda». Contudo, uma enfermidade obriga-o a ficar retido em casa durante vários meses. Durante este período volta-se para os livros e aí surgem as primeiras aparições na Imprensa. O seu primeiro artigo é inserido no semanário Gazeta do Sul, do Montijo e este é apenas o primeiro de muitos que viria a publicar. Já recuperado do acidente, decide voltar aos estudos e não torna a perder o gosto pela Literatura e pelo Jornalismo. Primeiro como amador, e mais tarde como profissional revela, desde cedo, grandes qualidades de prosador, grande espírito de observação e, como mais tarde se vem comprovar, um forte sentimento pela Pátria e pela Verdade.

Em 1943, publica o seu primeiro livro intitulado Revolta, um volume de novelas de cariz social neo-realista. E apesar de possuir fortes qualidades como escritor e ter obtido grande êxito com a sua obra junto do público, o livro é proibido pela censura. No ano seguinte, e devido à sua compreensão dos problemas espanhóis, é convidado a frequentar a Escola Oficial de Jornalismo, em Madrid, como bolseiro. Aí consagra-se colaborador da “Imprensa do Movimento” e da “Rádio Nacional de Espanha”. Nos quase dois anos de permanência em Madrid, torna-se Adido de Imprensa, ao facilitar as informações aos jornalistas e estudiosos de assuntos relacionados com Portugal, o que levava muitas vezes jornais das províncias a pedirem informações de toda a espécie a Luís de Quadros. Findo o curso, regressa a Lisboa não sem antes reunir uma compilação de entrevistas a algumas das principais figuras da actualidade do país vizinho que mais tarde viria a reuni-las em livro, a que deu o título de Gran Via e que por razões que se desconhecem mais tarde publicou no semanário A Nação e nas revista Brisa, Vida Mundial Ilustrada e O Século Ilustrado. De volta a Portugal é convidado a trabalhar na redacção de um vespertino e não perde as ligações a Espanha, mantendo-se como correspondente do diário Pueblo, de Madrid.


Índice da obra (caso exista)

[Não tem índice]

Explicação p. 7
Após três séculos de Jornalismo… pp. 9-12
O que é um jornalista pp. 12-13
No século da Velocidade pp.14-16
Pioneiros do ensino profissional pp.16-17
As escolas de Jornalismo multiplicam-se pp.17-19
Conclusão p. 19
Nota biográfica pp.21-24


Resumo da obra (linhas mestras)

Luís de Quadros apresenta neste livro um artigo, inserido no Correio do Minho, em forma de carta aberta ao Ministro da Educação Nacional. O autor diz que parece haver uma certa confusão na associação das palavras profissional e jornalista. Pior, “como se todo o confusionismo não bastasse por si só para amesquinhar uma das mais belas profissões que um ente humano pode exercer (…) [também se acusam] (…) os jornalistas de venais, de mentirosos, de estúpidos e ignorantes, como se toda a honestidade, verdade, inteligência e erudição deste mundo fosse personificada”. (p. 10)

Luís de Quadros questiona-se sobre o porquê deste ataque à profissão de jornalista. E dá a resposta: “Pela simples e clara razão de que, falsamente baseadas num critério estreito, as sucessivas aristocracias mentais portuguesas (…) relegaram a um incompreensível ostracismo a actividade espiritualmente mais delicada que numa nação pode existir – a orientação da Opinião Pública”. (p. 11)

Ao longo do texto, o autor defende a criação de cursos de jornalismo em faculdades, de frequência obrigatória para todos os que se quisessem tornar jornalistas. Na visão de Luís de Quadros, só através desse processo se elevaria a profissão de jornalista ao nível das (outras) profissões liberais.

Seguidamente, diz Luís de Quadros, “jornalista é, fundamentalmente, todo aquele que consegue e transmite notícias, que relata factos presentes, que os comenta e deles tira, se quiser, todas as possíveis ilações” (p. 12). Ainda ajuizando sobre o jornalismo, o autor explica que o jornalista éestruturalmente bom, pois o jornalismo “sempre foi e há-de ser por muito tempo, a melhor arma dos fracos e oprimidos” (p. 13).

O artigo relembra, ainda, quanto a sociedade mudou desde a era de Gutemberg e Coster, ao nível da tecnologia e ao nível da ideologia. Aliás, as transformações ideológicas, sustenta o autor, deveram-se, parcialmente, ao desenvolvimento das narrativas e comentários políticos, veiculadas pelos jornais. Em consequência das mudanças, o jornalismo adoptou uma faceta de “correcção e educação social” (p. 13) com uma aparência de “versatilidade e ecletismo” (p. 13). Porém, adianta Luís de Quadros, num século de informação com ritmo acelerado, cada vez mais o jornalismo se tornou uma profissão específica, pelo que não pode, de forma alguma, ser exercida por qualquer pessoa, mas apenas por profissionais com formação adequada. Relembre-se que, na altura, a radiodifusão dava os primeiros passos e a informação adquiria um grau de celeridade crescente. Aliás, o autor faz uma comparação entre o aparecimento da rádio (neste século) e o estabelecimento dos correios regulares na Europa. Para ele, a rapidez, concisão e clareza do estilo radiofónico influenciou os jornais.

Luís Quadros considera a estética (hoje diríamos o design) dos jornais um factor determinante para o seu sucesso e para realização da sua função informativa. Portanto, para ele o grafismo de um jornal também deveria ser obra de profissionais devidamente habilitados.

Relembra o autor que já em 1898 Albert Bataille, numa tese exposta no V Congresso Internacional de Imprensa, havia referido a necessidade da “oficialização dos Cursos de Jornalismo já então existentes” e da “criação de escolas oficiais de jornalistas” (p. 15).

Os últimos pontos do livro são dedicados aos pioneiros no ensino do Jornalismo, entre os quais Luís de Quadros destaca países tais como a Alemanha, França e América do Norte. No entanto, diz o autor, foi apenas em 1908 que se “fundou a primeira escola [de jornalismo] verdadeiramente digna deste nome” (p. 16), na Universidade de Missouri, Estados Unidos. Continua o seu artigo manifestando e defendendo o seu interesse na multiplicação de escolas de jornalismo, facto a que já se assistia, segundo o autor, em diversas cidades, tais como, somente para referir as latino-americanas, Havana, Buenos Aires ou Rio de Janeiro.

Em jeito de conclusão, o autor termina sugerindo que se dê início “à fundação de uma escola oficial de Jornalismo integrada na Universidade Técnica [de Lisboa]” (p. 19). Desta sugestão sobressai a ideia de que o jornalismo é, para o autor, não apenas uma arte liberal que pdoe ser aprendida e ensinada mas também uma profissão técnica.

O livro finaliza com uma nota biográfica do autor, traçando um resumido percurso profissional enquanto jornalista e principais artigos e livros publicados.


Nome do autor da ficha bibliográfica: Nair Silva
E-mail: nair.silva@gmail.com
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Jornalismo UFP,
08/06/2010, 08:22