Veloso, C. (1963)

VELOSO, Carlos Sousa (1963). A Rádio, a TV e a Imprensa no Desenvolvimento do Mundo Rural.

Autor: VELOSO, Carlos Sousa
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1963
Título completo da obra: A Rádio, a TV e a Imprensa no Desenvolvimento do Meio Rural
Tema principal: Conjuntura Jornalística
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Composto e Impresso na União de S. João – Gráfica de Gouveia – Gouveia (Separata do livro “ Alguns problemas do meio rural”)
Número de páginas: 14

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional
Cotas: S.C. 22505 V

Biblioteca: Biblioteca Pública Municipal do Porto
Cotas: A7/8/31 (19)


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

O Eng.º Carlos Sousa Veloso licenciou-se em Agronomia no Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa em 1954. Surge então na RTP com o famoso programa “TV Rural”, que durou 30 anos de emissões semanais, através de uma colaboração entre o Ministério de Agricultura e a RTP.


Índice da obra

[Não tem índice]

Comparação das comunidades subdesenvolvidas com as comunidades evoluídas: pp. 3-4
Problemas das sociedades baseadas na expansão industrial: pp. 4-5
Importância da utilização dos meios de informação no meio rural: pp. 5-8
As vantagens e desvantagens da Rádio como meio de informação no meio rural: pp. 9-10
As vantagens e desvantagens da Televisão como meio de informação no meio rural: pp. 11-12
Os Teleclubes: pp. 12-13
Conclusões: p. 14


Resumo da obra (linhas mestras)

Esta obra, escrita pelo Eng.º Carlos Sousa Veloso, insere-se numa Semana de Estudos e visa apreciar qual a importância dos diversos meios de informação como instrumentos de desenvolvimento do meio rural.

Sousa Veloso começa por comparar as comunidades subdesenvolvidas com as comunidades evoluídas (à luz do pensamento de um autor Americano), explicitando que “uma comunidade subdesenvolvida equivale a uma pirâmide assente pela base” (p. 3) onde no vértice está a indústria e na base a actividade agrícola; ao invés, nas comunidades evoluídas a pirâmide está numa posição invertida, assente, portanto, pelo vértice (actividade agrícola) e com a base elevada para o ar (indústria e serviços). Segundo o autor, no primeiro caso a estabilidade parece garantida e necessita, apenas, de um baixo nível de vida, enquanto que no segundo caso é necessário um alto nível de vida de forma a responder às múltiplas necessidades intelectuais e materiais das suas populações. Sousa Veloso defende que se deve procurar inverter a pirâmide assente na base mantendo-a, no entanto, sustentável (em equilíbrio), isto apesar da facilidade de contacto entre povos que os variados meios de comunicação permitem colocarem a nu as desigualdades, o que poderá provocar ”o tombar da pirâmide que se não quis deixar assente pela base” (p. 4).

O autor diz ainda, a propósito, que o facto de uma comunidade não poder basear o seu alto nível de vida na produção agrícola lava ao fomento da expansão industrial, mas com malefícios para a actividade agrícola. Veloso cita, inclusivamente, Pierre Vellas: “Esses Estados crêem não poder proporcionar simultaneamente a expansão agrícola e a expansão industrial. Escolhem a expansão industrial” (pp. 4-5), o que leva a uma subida dos preços de mercado dos produtos necessários para a agricultura e uma estagnação dos preços agrícolas na produção, o que resulta na condenação da produtividade agrícola e quebra do seu progresso, penalizando com esta política aqueles que utilizam técnicas mais avançadas e beneficiando as produções mais antiquadas.

Seguidamente o autor, centrando-se nos meios de informação, defende que a utilização desses meios à divulgação nas novas técnicas agrícolas tem, acima de tudo, de “orientar-se no sentido de pôr em evidência a complexidade dos problemas da agricultura, de modo a alcançarem-se soluções realmente válidas” (p. 6). Desta forma, a TV, pelas suas potencialidades, deve “levar também os agricultores a reconhecerem que a sua actividade tem a nossa gratidão (…) fundamental” (p. 6).

Sousa Veloso demonstra, depois, a importância de facultar a cada indivíduo, especialmente aos mais jovens, instrução, educação e aconselhamento para a utilização dos recursos técnicos, servindo os meios de informação como meio de preparar o agricultor para um melhor acolhimento a essas técnicas. Analisando os meios de informação, Sousa Veloso diz que a Rádio poderá (apesar das suas limitações), até pelo seu baixo custo, ser importante como meio de informação, desde que exerça junto dos agricultores uma acção estimuladora para o aproveitamento dos benefícios das novas técnicas agrícolas, através de relatos de pessoas bem sucedidas no meio, nas rápidas previsões de tempo e ataques de pragas e doenças.

Já quanto ao recurso à TV, o autor afirma que esta “permite a projecção de filmes (…), levando os agricultores como que a participar no debate”, podendo “assim ter conhecimento directo do processo de cultura e criação animal mais modernos”. A televisão permitiria, ainda, aos agricultores “Compreender a razão das medidas legais destinadas a melhorar a estrutura agrária, assistir às diversas práticas agrícolas, familiarizar-se com a sua execução.” (p. 11).

De seguida, o autor relata os inconvenientes da TV, como o facto de ter o poder de distrair o espectador, não o levando a pensar. Para evitar esse problema, Veloso aponta como solução para esse problema “Orientar os programas de molde a que a sua realização possa influenciar beneficamente o público (…), levando o público a aprender a discutir, não se satisfazendo apenas com a imagem.” (p. 12).

Na parte final da obra, Sousa Veloso refere a utilização dos chamados Teleclubes em França, que consistem em juntar os habitantes de uma comunidade rural num Edifício Escolar assistindo a programas e originando debates sobre o mesmo, sob orientação de alguém, desenvolvendo o sentido de cooperação no sector, contrariando o habitual individualismo. Para finalizar, o autor propõe um modelo idêntico para Portugal, mas nas Paróquias, para os agricultores (em especial os jovens) perceberem a importância do seu trabalho e não quererem desertar do campo pela sua dureza ou por desmotivação.


Autor (nome completo): Nélson Ricardo Gomes da Costa
E-mail: Nelsonricardo_20@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
13/06/2010, 17:04