Medeiros, G. (1956)

MEDEIROS, G. Braz (1956). Retalhos da Vida de Um Jornal.

Autor: BRÁS MEDEIROS, G.
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação): 1956
Ano de publicação/impressão: 1956
Título completo da obra: Retalhos da vida de um jornal (Palestra realizada no centro de estudos Político-Sociais em 24 de Outubro)
Tema principal: Teoria do Jornalismo
Local de edição: Lisboa Editora (ou tipografia, caso não exista editora) / Edição do autor/Tipografia da Sociedade industrial de Imprensa
Número de páginas: 20

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Municipal Pública do Porto
Cota: K3-6-10-P8-(20)

Biblioteca: Biblioteca Nacional 
Cota: B 3872 P


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Guilherme Brás Medeiros dirigiu a empresa do Diário Popular e foi presidente do Sporting Clube de Portugal. Foi ele o criador desse jornal.


Índice da obra

[Não tem índice.]

Diferenciação entre jornais de opinião e jornais de informação: pp. 5-6
Características de um Jornal de grande Informação: pp. 6-10
Evolução do Diário Popular: pp. 11-15
O estado da evolução da imprensa nos restantes países: pp. 16-20
Resumo da obra (linhas mestras)

O autor, desde logo, explica que a Imprensa se depara com problemas complexos. Como tal, apresenta três pontos essenciais para a compreensão do Mundo jornalístico:

“(…) 1. É clássica a distinção entre jornais de opinião e os jornais de informação, ou, se preferirmos, entre a Imprensa de ideias e a Imprensa Industrial.
2. Logo quanto aos periódicos incluídos no primeiro tipo - a Imprensa de ideias – afigura-se-me equívoco terrível a admissão, como axiomático, do principio generalizado em toda a latinidade, sobretudo, de nada se dever inserir neles contra, ou diferente, da maneira de sentir, pensar e agir dos apaniguados (…) daí, a crise, a todos os títulos gravíssima, por que, nos países latinos, passam os jornais de opinião. Nem admira, por entre eles ter o princípio atingido a máxima florescência.”

No parágrafo que se segue, o autor distingue três funções que o jornal de informação tem que ter:

1) Divertimento (“certa dose de amizade (…) conjugada com algum entretenimento”;
2) Representação das opiniões do público (o que implicaria uma diminuição da censura);
3) Educação (principal objectivo de um jornal).

Brás Medeiros explica, em consequência, que é para assegurar o entretenimento do leitor que o Diário Popular dá grande destaque à cobertura da Volta a Portugal em Bicicleta. Por outro lado, e a propósito da necessidade de um jornal representar as opiniões do público, relembra que por vezes a censura é tão acéfala que promove cortes em notícias do próprio paris que acabam por ser difundidas pelas agências de notícias internacionais, tendo-se mesmo, numa ocasião, difundido uma notícia da Reuters sobre Portugal que inicialmente a censura tinha cortada. Sobre o papel educativo de um jornal, o autor relembra que deve haver equilíbrio entre educação e expressão de opinião.

O autor também enfatiza a necessidade de um jornal ter uma política editorial agressiva, ou seja, “viril e coerente”, nas suas palavras, para conseguir obter informações em primeira-mão e, assim, aumentar as vendas e obter sucesso. Para ilustrar a sua opinião, relembra casos em que o Diário Popular obteve furos, como o desastre de avião de Superga (que vitimou jogadores do Torino que tinham vindo jogar com o Benfica); o caso da invasão de Goa, Damão e Diu pelas tropas da União Indiana; e a deslocação do Sporting a Belgrado.

Medeiros chama ainda a atenção para o facto dos jornais – em especial os vespertinos – estarem sempre expostos a gaffes que podem destruir a reputação dos próprios e mesmo dos que não estão envolvidos – e tudo por causa “do ritmo a que tem de obedecer a recolha do noticiário”, ou seja, a pressão do tempo, e também por causa da falta de verificação da informação. O autor relata, por exemplo, uma notícia de um jornal de Marselha, de 1934, que reportava a chegada do rei Alexandre, da Jugoslávia, “com discursos e tudo”, apesar deste ter sido assassinado antes da visita.
O autor menciona também os problemas de Imprensa dos outros países, constatando que estes residem sobretudo nos gastos e nos custos de produção.

Terminando a sua palestra, Brás Medeiros deu a chave do sucesso para a expansão de um jornal: “desafogo económico e índice de cultura da população”. Porém, diz, igualmente, que quanto ao número de exemplares adquiridos por milhar de habitantes, Portugal fica nos últimos lugares entre os principais países do mundo.


Autora: Ana Catarina Araújo dos Santos Pereira
E-mail: nana_feiah@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
01/06/2010, 10:53