Macedo, J. (1821f)

MACEDO, José Agostinho (1821). Exorcismos Contra Periódicos e Outros Malefícios.

Autor

MACEDO, José Agostinho de

Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)

Ano de publicação/impressão

1821
Título completo da obra

Exorcismos Contra Periódicos e outros Malefícios

Tema principal

Liberdade de Imprensa, Opinião Pública, Ética, Direito e Deontologia do Jornalismo

Local de edição

Lisboa

Editora (ou tipografia, caso não exista editora)

Oficina da Viúva De Lino da Silva Godinho, 1821
Número de páginas

32
Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional
Cotas: L.69092P.

Biblioteca: Biblioteca do Porto
Cotas: N-D-1-120

Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

José Agostinho de Macedo nasceu em Beja em 1761. Foi professor na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho em 1778, do qual foi expulso por ser considerado “contumaz e incorrigível”. Chegou a ser acusado e condenado por desrespeito e roubos. Depois de obter a despensa dos votos monásticos, tornou-se pregador, alcançando grande notoriedade com os seus sermões. Posteriormente, tornou-se membro da Nova Arcádia, onde entrou em quezílias com Bocage. Fez, também, parte da Arcádia de Roma, com o pseudónimo de Elmiro Tangideu. Era contra a Revolução Francesa e odiava Voltaire e Napoleão. As suas obras reflectem a sua luta pela denúncia dos jacobinos. Eram bem conhecidas as polémicas que tinha com Bocage e Almeida Garrett. Veio a falecer em Lisboa, em 1831.
Índice da obra

Apresentação da proliferação de jornais como flagelo, praga: pp. 3-5
Pertinência do tema e dimensão do problema: pp. 6-11
Circunstâncias em que se formam os periódicos: pp. 12-16
Necessidade da informação, periódicos como meio de transmissão: pp. 17
Acusações feitas aos periódicos: pp. 18-23
Comparação entre frades e “periodiqueiros”: pp. 24-32

Resumo da obra (linhas mestras)

Este é mais um opúsculo do padre adepto do Antigo Regime José Agostinho de Macedo contra a proliferação de jornais, muitos deles mal escritos e redigidos por pessoas impreparadas, após a Revolução Liberal de 1820.
Macedo começa por apelidar os periódicos de “malefício”, pelo que se imporia o “exorcismo” de que o seu texto dá conta. Refere-se à proliferação exagerada de jornais, comparando-a a um “flagelo, ou praga, tudo que consigo traz calamidades”. Acusa os Periódicos de exagerarem nos males dos portugueses e de os multiplicarem, criando um estado de incerteza entre todos, não havendo lugar para a credibilidade de informação. Diz ele: “ Já ninguém se entende. A multidão dos faladores fez parar a majestosa obra da Torre da Babilónia: onde todos falam, ninguém se entende”.
Quem eram então os “periodiqueiros” de que fala Macedo? Eis o seu retrato, de acordo com o autor: eram pessoas que tinham outros ofícios e os abandonavam para fazerem jornais. Por isso, o autor interroga-se: “e a quem lembraria, que no momento em que Portugal necessitava de mais luzes, mais ciência, mais conhecimentos, que coadjuvassem a mais árdua, e difícil empresa, os Martelos, as Enchós, os Formões, as sovelas, as Tripeças, as Cadeiras, os Bancos, os Bufís, as Forjas, os Foles, tudo seria desamparado, e que os seus cultores se converteram em Periodiqueiros? Parece que para grande arte de escritor não se necessita de outra coisa senão saber formar bem ou mal, tortos ou direitos, os caracteres do Alfabeto”.
Embora Macedo reconheça que a profissão de jornalista é importante para ilustrar o país, demonstra, igualmente, que outras profissões existem de igual ou maior importância para a criação de riqueza e o progresso nacional. Assim, explica que o estado do país é bem mais relevante do que a necessidade de o fazer conhecer.
Ao longo de toda a obra o autor procura humilhar os periódicos e quem os escreve. Acusa os periodiqueiros de manipularem a informação e de cederem a chantagens e subornos, tornando-os responsáveis pela crescente perda de valores a que se assistia naquela altura.
Nesta crítica, José Agostinho de Macedo compara os frades com os periodiqueiros, referindo, na comparação, grandes nomes da Literatura Portuguesa oriundos do meio eclesiástico, como o Padre António Vieira e Baltazar Teles. Pergunta ele: “Se não fossem os Frades e os clérigos, que coisa seria a Literatura Portuguesa?” Deste modo, pretende defender os frades e outros eclesiásticos dos ataques de que eram vítimas constantes nos periódicos radicais, salientando que eram mais “doutos” e, portanto, mais capazes de contribuir para a ilustração dos portugueses do que a maioria dos “periodiqueiros”.
José Agostinho de Macedo conclui com uma série de acusações fortes e directas aos “Franchinotes Periodiqueiros”: “Mentem, tanto dizem, tanto desdizem, tão mal, tão fora do tempo querem propor coisas, demolindo em lugar de concertar, que o povo alucinado, e que chega a dizer a um pobre – Deus o favoreça irmão, tomara cá eu dinheiro para periódicos – cuida que se obra”.

Autor: João Pedro Martins de Figueiredo Augusto
E-mail: joao_augusto__@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
29/05/2010, 20:57