Codam (1973)

CODAM (1973). Contribuição para a História da Imprensa em Moçambique.

Autor: Anónimo
Ano de elaboração: 1973
Ano de publicação/impressão: 1973
Título completo da obra: Contribuição para a História da Imprensa em Moçambique
Tema Principal: História do Jornalismo
Local de edição: Lourenço Marques
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): CODAN
Número de páginas: 78

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Pública Municipal do Porto: Q6-4-38


Esboço biográfico sobre o autor

[Autor Anónimo]


Índice da obra

[Não tem índice]

Introdução – Página 1
Quadros da História da Imprensa de Moçambique:
Os Jornais Oficiais – Páginas 2 e 3
Na Cidade de Moçambique, com a Imprensa particular, apareceu a Censura Prévia – Páginas 3, 4 e 5
Em Quelimane, o primeiro periódico nasceu de desavenças pessoais – Páginas 5 e 6.
Depois de Moçambique, e de Quelimane, Lourenço Marques – Páginas 6 e 7.
Na Beira, Três “Correios” logo de início – Páginas 7 e 8.
Ibo, Inhambane e Nampula – Páginas 8 e 9.
Os Jornais suprimidos ou a tal obrigados – Páginas 9, 10 e 11.
Os Diários – Páginas 11, 12, 13 e 14.
A Arma dos Números Únicos – Páginas 14, 15 e 16.
A Imprensa Técnica Especializada – Páginas 16 e 17.
A Imprensa Humorística – Páginas 17 e 18.
A Imprensa Infantil – Páginas 18 e 19.
A Imprensa Desportiva – Página 19.
A Imprensa de Moçambique e a História – Página 19.
Tabela Cronológica da Imprensa Política, Religiosa e de Informação de Moçambique – Páginas 20 a 27.
Reprodução de Primeiras Páginas de alguns Órgãos de Imprensa publicados em Moçambique – Páginas 28 a 78.


Resumo da obra

Neste livro, de autor anónimo, tenta-se reconstruir a história da imprensa em Moçambique desde o início da colonização até 1973. Nele escreve-se que “A imprensa é um dos melhores inventos do espírito humano. Ela tem prestado os mais importantes serviços ao Comércio, à Indústria, aos interesses, e à civilização de uma grande parte dos povos do Universo”. É relatado também que “A imprensa é o testemunho constante do quotidiano e é desta que o cidadão comum recebe a informação que lhe reforça certezas e que o mantém inserido no mundo que o rodeia qualquer que seja o seu estatuto e nível de consciência”. Relembra o autor que muitos foram os homens que conseguiram impor, “com persistência e determinação, a necessidade da imprensa, a importância da notícia e o hábito da participação”.

Este livro mostra que a imprensa ocupou um lugar central na sociedade, segundo o autor, desempenha socialmente um papel estático (consolidando e divulgando os sucessos alcançados pela comunidade humana) e um papel dinâmico (equacionando problemas e polarizando atenções para o futuro). A imprensa moçambicana colonial, segundo o autor do livro, enquadrava-se nesses papéis. Assim sendo, fazer a história da imprensa moçambicana era, para o autor, “um acto de justiça para com a Imprensa em si, porque esclarece o público sobre a importância social da sua acção e responsabiliza os futuros profissionais de informação com o peso da herança de que amanha serão portadores”. Aliás, nas palavras do autor, não se pretendeu fazer do livro um relato da história da imprensa de Moçambique, mas sim divulgar alguns dos passos que ela aí percorreu, deixando a sua contribuição para a História (p. 1).

Seguidamente, é desenvolvido o capítulo intitulado “Quadros da História da Imprensa de Moçambique”. Como introdução a esta parte, é referido que “A Imprensa continua a ser a porta para o maior espectáculo do Mundo, o espectáculo dos Homens”. (p. 2) O livro relata que apenas no dia 19 de Abril de 1854, Moçambique viu chegar o prelo, a bordo da fragata D. Fernando II. Vinte e quatro dias depois, nascia em Moçambique o primeiro boletim periódico: “Boletim do Governo da Província de Moçambique”. Este, para além de divulgador dos actos do governo ainda tinha espaço para notícias, anúncios e comunicações pessoais. Foi publicado semanalmente por mais de um século, acabando posteriormente por ser trissemanário.

O autor prossegue até ao fim do seu texto apresentando vários dados importantes da cronologia jornalística em Moçambique.

Em Lourenço Marques, de 1889 a 1892 publicou-se o “Boletim Oficial do Governo do Distrito de Lourenço Marques” e entre 1897 e 1898 publicou-se o primeiro e único jornal municipal da Província, o “Boletim Municipal do Concelho de Lourenço Marques”. O “Boletim da Companhia de Moçambique” teve o início da sua publicação em 1 de Julho de 1892, sendo o primeiro e segundo números impressos em Lisboa. O principal jornal do Niassa, e primeiro do Ibo, era oficial e chamava-se “Boletim da Companhia do Niassa”. Iniciou a sua publicação em 8 de Novembro de 1897.

Relata-se ainda no livro que em Moçambique, com a Imprensa particular, apareceu a Censura Prévia, imposta pela primeira vez ao segundo jornal não oficial a surgir na província, “O Progresso”, após diversas disputas de opinião. A ordem censória nº 243 do Governador-Geral da Província foi redigida nos seguintes termos: “Sua Ex.ª, o Governador-Geral da Província manda prevenir o encarregado da Imprensa Nacional (…) de que no jornal «O Progresso» (…) não se devem inserir artigos, ou correspondências de natureza política ou de agressão pessoal, e como tais estranhos à índole de um jornal puramente literário”.

Em Quelimane, o primeiro periódico nasceu de desavenças pessoais, no dia 1 de Julho de 1877, sendo um semanário de quatro páginas. De seu nome “O Africano”, publicou-se, pelo menos, até 1881. Este jornal foi o pioneiro a recorrer aos anúncios gratuitos para preencher espaços vazios. Em 1882, publicou-se em Quelimane um semanário denominado “ O Quelimanense”. No número de 11 de Fevereiro de 1883, o Director-Geral do Ultramar e o Ministro da Marinha são vítimas de um violento ataque, mostrando que a Imprensa de Quelimane não era de brincadeiras. No final do século XIX surgiram ainda mais publicações com ataques pessoais, mas teve por consequência um período de desvanecimento da Imprensa dessa localidade até 1956, ano em que surge o “Voz de Zambéria”, publicado pelo bispo de Quelimane, D. Francisco Nunes Teixeira. (pp. 5 e 6)

Depois da cidade de Moçambique e da de Quelimane, Lourenço Marques foi a terceira a ter imprensa periódica. O primeiro jornal publicado em Lourenço Marques, em 15 de Dezembro de 1888, foi o “Districto de Lourenço Marques”. Tornou-se um muito importante na campanha de nacionalização da Província e defendeu de uma maneira equilibrada os interesses de Moçambique na questão do Caminho-de-Ferro para o Trasnval.

Muitos jornais moçambicanos dessa época tinham texto em Inglês, devido ao grande número de ingleses na capital. (pp. 6 e 7)

Na Beira, quarta cidade de Moçambique a ter jornais, surgiram três jornais logo de início, tendo sido o primeiro “A Beira”, que foi um dos primeiros jornais gratuitos da história, inteiramente sustentado por publicidade. Apareceram ainda o “Correio da Beira” ou “The Beira Post”, em distintas datas, tal como o “Manica e Sofala”, o “Imparcial” e o “Templo” (pp. 7 e 8).

Ibo teve dois jornais. O primeiro foi “O Nyassa”, publicado de 1 de Janeiro de 1900 a 6 de Julho do mesmo ano. O segundo jornal foi o “Eco do Nyassa”, datado de 25 de Fevereiro de 1919.

Já Inhambane, só conheceu “A Alvorada” como jornal tendo como subtítulo “Semanário republicano democrático”. Em Nampula, a Imprensa começou a existir apenas em 1941, com o “ Boletim Eclesiástico da Diocese de Nampula”, publicado até Agosto de 1942. De fraca longevidade, existiu ainda “O Norte de Moçambique”. Ao contrário deste, “A Voz do Norte” ainda se publicava quando o livro foi escrito. (pp.8 e 9)

Nos últimos anos da Monarquia houve maior agitação político-social, pelo que, segundo o autor, foi grande o número de jornais suprimidos e censurados em Moçambique. O autor dá o exemplo do “Correio da Beira” e do “Futuro de Lourenço Marques” (oficialmente suprimido). Nesse período e na I República destacou-se em Moçambique o jornalista Clemente Nunes de Carvalho e Silva pela frontalidade das suas posições. Muitos dos seus jornais foram suprimidos, como, por exemplo, “O Portuguez” e “O Progresso de Lourenço Marques”.

Outro jornalista teve uma faceta semelhante a Clemente Silva: Manuel Nascimento Ornelas. “O Districto”, “O Diário de Notícias” são exemplos de jornais suprimidos ligados a Manuel Ornelas. (pp. 9, 10 e 11)
O primeiro diário publicado em Moçambique tinha um título que era significativo da influência inglesa: “The Delagoa Gazette of Shipping and Commercial Intelligence”. Foi autorizado para publicação no dia 22 de Dezembro de 1903, mas já tinha publicado o primeiro número no dia 8 de Dezembro do mesmo ano. Com 59 números, publicou-se até Abril do ano seguinte. Mas em 1910 voltou a publicar-se, com o título “Delagoa Bay Gazette” e o subtítulo de “A Journal of Shipping Commercial and Agricultural Intelligence”. Foi publicado até 1914, tendo em 1912 tentando passar a quinzenal, mudando para “Mozambique Gazette” / “Gazeta de Moçambique”. No ano de 1913, publicou suplementos em português, passando a ser, ainda nesse ano, um jornal bilingue. A última edição foi no dia 15 de Dezembro de 1914.

O jornal “O Districto”, foi o primeiro diário em português publicado em Moçambique, sendo propriedade do jornalista Manuel Nascimento Ornelas. O primeiro número do jornal saiu em 7 de Abril de 1904 e o último número do jornal (n.º 73) “ em 15 de Março de 1905, devido à publicação de alguns artigos ofensivos à autoridade e do decoro de alguns funcionários. Mas Manuel Ornelas não baixou os braços e obteve permissão para um novo diário, o “Diário de Notícias”.

Este jornal foi publicado de 1 de Abril de 1905 até 30 de Abril de 1907. Muitos outros diários foram publicados em Moçambique, como “O Direito”, também de Manuel Ornelas. Em 1907, publica-se “ A Tribuna”, que teve uma duração efémera. Já o “Emancipador” foi um diário clandestino. Viu encerrada, a 9 de Fevereiro de 1925, devido a perturbações por causa da greve ferroviária de Novembro, a Casa dos Trabalhadores, onde estavam as instalações deste jornal. Mas conseguindo a extracção de alguma material, continuou a ser clandestinamente publicado como diário, até que os tipógrafos foram presos.

Muitos outros diários existiram como o “Notícias”, “O Ilustrado”, o “Lourenço Marques Guardian” entre outros. No ano de 1961, um conjunto de antigos jornalistas de Lourenço Marques concebeu uma série de jornais, maioritariamente especializados, para que saíssem, alternadamente, todos os dias. A equipa era constituída por Ilídio Rocha (ex - “Notícias” e ex - “Diário”), Gouveia Lemos (ex - “Última Hora” do Rio de Janeiro, e na altura chefe de reportagem do “Notícias”) e, por fim, Vieira Simões (ex - “Agora” e ex - “Notícias”). Os jornais publicados incluíam um trissemanário noticioso (“A Tribuna”), um semanário desportivo (“Marca”), um seminário feminino (“Feminina”), um seminário infantil (“Gala-Gala”) e dois quinzenários que teriam os títulos: “Gazeta Literária” e “Gazeta de Economia e Técnica”. Depois de um ano de trabalho e já sem Vieira Simões, decidiu-se substituir a série de publicações por um diário, “A Tribuna”, e um semanário, o “Gala-Gala”. As restantes publicações passaram a suplementos do diário. Este diário foi publicado a partir do dia 5 de Outubro de 1962.

O “Notícias da Beira” foi o segundo diário da Beira e tratava-se da transformação em diário do mais antigo jornal que se publicava em Moçambique. “O Jornal” foi o último jornal diário a aparecer em Moçambique, em 17 de Dezembro de 1970. Era publicado como semanário desde 1966, sendo o seu fundador João Reis.

É de realçar que antes da publicação da Lei de imprensa de 3 de Setembro de 1926, a habilitação legal para a publicação de jornais não era necessária quando de números únicos se tratasse. Permitia-se, assim, a publicação de jornais comemorativos, assegurava-se a continuidade de jornais suspensos e ainda se possibilitava a publicação de outros cuja habilitação não teria despacho favorável. Exemplos disso mesmo são o “Emancipador”, a “Liberdade” e o “Indo-Português”.
O livro continua passando em revista as publicações técnicas especializadas publicadas em Moçambique, sendo a primeira a “Circular n.º 1 da Secção de Entomologia da Repartição de Agricultura”, de 1908, publicada em inglês e português. Outros exemplos da Imprensa Técnica Especializada são: “ Bulletin: Moçambique Department of Agriculture” (redigido totalmente em inglês); o “Jornal de Minas da Companhia de Moçambique” e o “Jornal de Agricultura da Companhia de Moçambique”. A primeira publicação técnica não oficial foi o “Algodão de Moçambique”, saindo o primeiro número no dia 15 de Outubro de 1925 e sendo o proprietário Alves da Costa.

A imprensa Moçambicana também teve um lado humorístico. Por exemplo, “O Gato”, semanário publicado de 1880 a 1882, foi chamado de “ridículo órgão jornalístico, íntimo excremento da literatura semanal”. Só em 2 de Fevereiro de 1902 viria a aparecer em Lourenço Marques um jornal assumidamente humorístico, “O Mignon”, que se auto-intitulava como “semanário humorístico ilustrado”, mas a sua publicação foi suspensaadministrativamente. Mais uma nova tentativa, a 1 de Junho de 1908, foi protagonizada por “ O Macaco”. Este periódico teve 21 números publicados, acabando a 16 de Maio de 1909. Em 1912, foi publicado o “Intransigente”, subintitulado “suplemento humorístico e ilustrado”. Houve também outros como “O Zabumba” e “ O Riso”, entre outros.

Em 1926 foi publicado o primeiro jornal infantil moçambicano: “O Miúdo da Província de Moçambique”. No dia 19 de Outubro de 1940 foi publicado o primeiro número do “Jornal da Criança”. Mais exemplos da presença da imprensa infantil em Moçambique são: “Gala-Gala” e “Kurika”.

O primeiro jornal desportivo publicado em Moçambique que se conhece foi o “Semana Desportiva”, fundado a 7 de Outubro de 1922, e que, em comparação com os desportivos actuais, dava quase nula atenção ao futebol. Os primeiros 13 números foram impressos a cores. A partir do número 14, passou à forma de revista, que se apresentava muito ilustrada. No número 62, voltou à forma de jornal. Passadas poucas semanas, deixou de publicar-se. Porém, no dia 6 de Maio de 1932, passou a publicar-se outra “Semana Desportiva”.

A partir de 10 de Maio de 1938 saiu para as bancas o “Eco dos Sports”, jornal que “viveu” até 1954, ano em que só saíram três números.

Pela época em que o livro foi escrito, o jornal “A Equipa” era o mais recente jornal desportivo publicado em Moçambique. Porém, só publicou sete números, o primeiro a 15 de Dezembro de 1966 e o último a 26 do mesmo mês. Era feito e impresso na tipografia do jornal “O Notícias”.

Em jeito de conclusão, o autor, anónimo, diz que a vida da Imprensa em Moçambique não era muito longa, mas estava cheia de altos e baixos. Em particular, segundo o autor, faltou quem salvasse o que havia. Os jornais desaparecidos, para o autor, faziam muita falta, não só para fazer a sua história mas para também fazer a história de Moçambique, que relatariam. Realce ainda no livro para o facto de ninguém saber de um “Arquivo Histórico” reunido por Caetano Montez, cuja reconstituição seria de grande utilidade para a reconstituição da trajectória histórica da imprensa moçambicana.
No final do livro são incluídas cópias das primeiras páginas de vários jornais moçambicanos: “Boletim do Governo da Província de Moçambique”; “Revista Africana”; Distrito de Lourenço Marques”; Boletim Oficial do Governo do Distrito de Lourenço Marques”; Boletim da Companhia de Moçambique”; Correio da Beira; Boletim da Companhia do Nyassa”; The Beira Post”; “Lourenço Marques Guardian”; “O Progresso de Lourenço Marques”; “O Mignon”; O Futuro”; “O Macaco”; “ Imparcial”; “Os Simples”;”O Germinal”; O Incondicional”;”O Jornal do Comércio”; “Colónia”; “The Beira News”; “O Espectro”; “O Emancipador”; “Notícias”;” O 19 de Junho”; “O Direito; “A Folha do Povo”;” O Brado Africano”; “Semana Desportiva”; “Clamor Africano”, “O Ilustrado”; “O Piririsca”; “ União”; “Piri-Piri”; “O Jornal”; “ O Oriente”; “Itinerário”; “Voz Africana”; “O Diário”; “Agora”; “ Notícias da Tarde”; “Guardian”; “Diário de Moçambique”; “Diário de Lourenço Marques”; “Diário”; “Renovação”; “A Tribuna”; Notícias da Beira”; “Tempo”; “A Voz do Norte”.


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Gabriel António Oliveira Morais
E-mail: gmorais88@hotmail.com
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Jornalismo UFP,
27/05/2010, 20:20