Macedo, J. (1821c)

MACEDO, José Agostinho (1821). Cordão da Peste ou Medidas Contra o Contágio Periodiqueiro.

Autor

MACEDO, José Agostinho de
(sob o pseudónimo “O Corcunda de Boa Fé)

Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)

1820

Ano de publicação/impressão

1821
Título completo da obra

Cordão da Peste ou Medidas contra o Contágio Periodiqueiro
Tema principal:

Liberdade de Imprensa
Local de edição

Lisboa

Editora (ou tipografia, caso não exista editora)

Oficina da Viúva de Lino da Silva Godinho

Número de páginas

44

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional
Cotas: H.G14929//15p

Biblioteca: Biblioteca Pública Municipal do Porto
Cotas: N4-7-26- (13)

Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Natural de Beja, José Agostinho de Macedo nasceu em 1761 e faleceu em 1831. Padre, poeta, um dos precursores do jornalismo político português, era um escritor polémico e agressivo, adepto fervoroso do absolutismo. Nas suas obras, é reflectida a luta contra a revolução.

Índice da obra

[Não tem índice.]

O terrível mal da “Peste” – pp. 3-8
O primeiro sinal do contágio – pp. 8-11
A Nação Portuguesa até à Implementação da “Peste” – pp. 11-14
O medo pela penetração nas províncias – pp. 14-23
Nostalgia do tempo de D. Sebastião – pp. 23-24
A Religião na sociedade e sua importância – pp. 24-29
As cartas periodiqueiras – pp. 29-37
Revolta contra a implementação da “Peste” – pp.37-44
Resumo da obra (linhas mestras)

Este opúsculo de José Agostinho de Macedo representa mais uma reacção deste padre partidário do Antigo Regime contra a ploriferação de periódicos em Portugal, muitos deles artesanais e mal escritos, após a Revolução Liberal de 1820.
O autor apelida de “peste” o surgimento intempestivo de jornais, sendo, portanto, necessário estabelecer um “cordão sanitário” que imponha uma “quarentena” à criação de jornais. Mais, para Macedo os jornais eram uma “nuvem negra” cheia de “parvoíce”.
Os “periodiqueiros”, termo com que Macedo alcunha os fazedores de jornais, seriam, ademais, ignorantes: “Eu não falo daquela ignorância que provém da absoluta carência de luzes, de instrução, e conhecimentos, que provém da instituição de alguns nos ofícios braçais, tão úteis à Pátria quando esta pode dispor ou tem que dispor do numerário ainda mesmo na forma, para comprar um trono, e uma cadeira; nem menos falo daquela ignorância que noutros provém da ociosidade e pobreza, porque quem não tinha dinheiro para uma Filipina, e um charuto de botequim, menos o teria para comprar um livro ainda que seja de Benjamim Constant , que estão pela hora da morte por aqueles Livreiros Galos, que aqui nos enriquecem, ou se enriquecem: falo daquela ignorância em que os mais campanudos de Política, e Publicitismo existem a respeito da índole, do carácter, e dos sentimentos da Nação para quem escrevem, e que eles querem, ou dizem que querem, ilustrar.” (pp. 9-10)
Macedo critica também a pressa com que os periodiqueiros queriam reformas: “Eis a primeira bostela, a ignorância do carácter geral da Nação Periodiqueiro, ó Peste, deixai que o tempo faça a reforma, que não é obra de dias, nada se faz de repente, a marcha de uma revolução política deve ser lenta, deve ter as mesmas gradações que tem a marcha da Natureza nas estações do ano.” (p. 10)
Segundo Macedo, os “periodiqueiros”, sem habilitações, gostariam de governar o país, mas nem sequer sabem governar a sua casa: “E a si sabem eles governar-se? Alguns conheci eu, antes de rebentar a Peste, e que agora dão grandes planos de economias, de finanças e melhoramentos, que não digo eu que não sabiam governar a sua casa, porque a não tinham, nem eira nem beira, nem ramo de fogueira, mas nem a si mesmos, porque nunca atinavam com um plano de trabalho para fazerem uma casaca; a que traziam, tinha mais remédios, que Negociante a falir com Letras de aparato e mais pontos, que a partitura da missa grande de Marcos. E agora ensinam o governo a melhorar o estado de arrecadação do Tesouro Público, e Nacional; são como os Alquimistas, que ensinavam a fazer ouro, e pediam esmola.” (pp. 14-15)
O autor diz ainda que as medidas reportadas pelos “periodiqueiros” liberais são irreflectidas e inaplicáveis, sob pena de levar o país à ruína.
Macedo referencia, igualmente, as cartas escritas pelos “periodiqueiros” para os seus próprios jornais, comi se fossem leitores, de modo a mostrar a sua popularidade: “ E quem não vê que são os mesmos periódicos que se escrevem a si? Todos os seus artigos comunicados, são comunicados por eles mesmos” (p. 32) “Finja-se uma carta, mandado por um sincero admirador do periodiqueiro” (p. 33).
Assim, Macedo, apela à união do povo e ao combate da “peste periodiqueira” que para ele é maléfica e sente-se nostálgico pelo tempo de há 700 anos, um tempo caracterizado, por ele, como um tempo de simplicidade e de mais contenção.

Autor (nome completo): Cíntia Letícia Batista Ferreira
E-mail: Batista_cintia@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
29/05/2010, 20:54