Portugal, J. (1949)

PORTUGAL, José M. Boavida (1949). A Vida Complexa e Grandiosa do Jornal.

Autor: PORTUGAL, José Manuel Boavida
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1949
Título completo da obra: A Vida Complexa e Grandiosa do Jornal
Tema PRINCIPAL: Teoria do Jornalismo
Local de edição: Lisboa: Sociedade Nacional de Tipografia.
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Sociedade Nacional de Tipografia.
Número de páginas: 6

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Municipal do Porto: J3-1-10
Cota na Biblioteca Nacional: L. 13724//6 V.


Nota biográfica sobre o autor

José Manuel Boavida foi jornalista e membro de várias direcções da Casa da imprensa. Morreu em 2005.


Índice da obra

[Não tem índice]O hábito de ler o jornal e as diferentes abordagens ao mesmo: p.1

O poder e a complexidade do jornal: p.2

O processo complexo da elaboração da notícia até ao momento em que o jornal é impresso: p.3

A vida dos jornalistas correspondentes de guerra e o caso de John Del Val: pp.3/5

A importância de um director num jornal: p.5

O jornalismo em Portugal e a sua qualidade: p.5

Ultima abordagem ao jornal e ao trabalho imenso dos seus colaboradores: p.6


Resumo da obra (linhas mestras)

A Vida Complexa e Grandiosa do Jornal explora o jornalismo impresso em várias vertentes: o jornal impresso e a sua complexidade; o poder do jornal; o processo de elaboração e divulgação da notícia (desde o momento em que uma notícia é aceite como tendo interesse até ao ponto em que o jornal é distribuído); a vida dos jornalistas correspondentes e a vida do jornalista correspondente John del Val em particular; a importância da existência de um director num jornal. O autor finaliza com um elogio ao jornalismo que se fazia em Portugal na época em que o livro foi escrito, considerando o autor que os jornalistas portugueses se distinguiam pelo seu profissionalismo.No início da obra, Boavida Portugal reflecte sobre a efemeridade do jornal. Diz ele: “A vida do jornal dura apenas umas horas. (…) Mas esta efemeridade (…) está longe de constituir a prova de que é superficial ou frívolo o que nele se escreve”. (p.1)

Segundo o autor do livro, apesar das diferentes abordagens que os vários leitores fazem ao jornal, este é indispensável a todos, pois funciona como “uma ponte que nos liga ao mundo”. (p. 1)

Ao longo das poucas páginas que a obra contém, o poder do jornal é destacado. José Manuel Boavida Portugal afirma que o povo acredita piamente no jornal e que este, na maioria dos casos, molda o pensamento do leitor, mas “não quer isto dizer (…) que todos saibam apenas aquilo que o jornal lhes diz” (p.2). Basicamente, o autor acredita que o jornal “alicia, orienta e convence. Todos os dias é novo, mas todos os dias deixa alguma coisa de si.” (p.2).

Na abordagem à complexidade do jornal, são destacados o necessário espírito de equipa, pois “ou puxam todos para o mesmo lado – ou não presta” (p.2), e a importância da abordar todas as matérias com o mesmo afinco.

No desenvolvimento do texto, o autor descreve o percurso da notícia num jornal português do final da década de Quarenta, desde que o acontecimento surge e um informador “de que os jornais dispõem em diversos pontos” (rede de captura de informações) avisa o jornal. “O telefonista recolhe a informação. O chefe de redacção toma conhecimento e avalia a importância do que se passa. Às vezes um repórter chega [para cobrir o acontecimento]. Outras vezes é necessária toda uma equipa com jornalistas especializados (…) que conhecem as pessoas [as fontes] (…). Escolhido o pessoal, preparado o fotógrafo, aprontado o carro, segue-se para o local do sucedido. A equipa vai informando a redacção e regressa. Enquanto o repórter reúne as suas notas e o redactor as coordena, o fotógrafo encerra-se na câmara escura com os técnicos do laboratório. (…) Entretanto, a tipografia vai recebendo o original (…). A prova fotográfica chega à gravura e depois é reproduzida em vidro e depois em zinco. (…) A prova tipográfica (…) entra na revisão (…). Os paginadores esperam na composição (…). Jornalistas e gráficos (…) procuram (…) que a notícia se apresente ao leitor o mais elegantemente possível.” (p. 3). Segue-se a impressão e a distribuição do jornal, relata Boavida Portugal.

Recordando que “Quando a informação vem de fora não é menos entusiasmado nem menos complexo o jornal”, numa fase posterior do livro o autor mostra a sua admiração pelos correspondentes que, para o bem do jornalismo e para fazerem chegar às pessoas informação com rigor, passam momentos nada fáceis, como o caso de John del Val, um correspondente de guerra que esteve presente em alguns dos mais ferozes combates de que há memória, mas que sempre os retratou “com a objectividade que a profissão (…) exige.” (p. 4).

Finalmente, Boaventura Portugal evoca o director dos periódicos, que presidem à organização que cada jornal é. “Quando o jornal é político, o nome do director tem de ser uma garantia”, frisa o autor. Mas “Ao lado do director, os jornais portugueses contam com jornalistas do melhor temperamento, da mais sólida cultura e da mais cuidada formação”, salienta Boavida Portugal.


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: João André Carvalho Saraiva Gonçalves
E-mail: andré_dv_82@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
08/06/2010, 08:15