Cunha, A. (1913)

CUNHA, Alfredo (1913). O Portuense Sousa Viterbo. Elogio Lido na Sessão Solene no Ateneu Comercial do Porto em 29 de Dezembro de 1913.

Autor: CUNHA, Alfredo da
Ano de elaboração
Ano de publicação/impressão: 1913
Titulo da obra: O Portuense Sousa Viterbo
Tema Principal: Jornalistas e Vida Profissional
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora)
Número de páginas: 30

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Municipal do Porto: X5-4-2 (7)


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Natural do concelho do Fundão, Alfredo da Cunha nasceu a 1863 e faleceu em 1942, Jornalista, exerceu o cargo de Director do Diário de Noticias. Casou com a filha do fundador do jornal, D. Adelaide da Cunha. Realizou vários estudos sobre a história do jornalismo português, tendo-se dedicado, em especial, à sua génese.


Índice

[Não tem índice]

Sousa Viterbo – Apresentação – pp. 5 – 6
Sousa Viterbo – Vida e Obra – pp. 6 – 12
Sousa Viterbo – O orgulho Portuense – pp. 12 – 17
Sousa Viterbo – Filho adoptivo de Lisboa – pp. 17 – 23


Resumo da obra (linhas mestras)

Neste livro, Alfredo da Cunha biografa e enaltece a figura do jornalista Sousa Viterbo. Sempre orgulhoso e nunca esquecido da sua origem plebeia, nascido e falecido no dia 29 de Dezembro de 1845 e de 1910, respectivamente, este era, segundo Alfredo da Cunha, o portuense Sousa Viterbo, “filho adoptivo de Lisboa”. Para Alfredo da Cunha, Sousa Viterbo foi um dos vultos mais altos da sociedade da última metade do século XIX. O autor revela, também, que Sousa Viterbo nunca obedeceu realmente a seu pai, que sempre sonhou que o seu filho fosse um médico e não um poeta e jornalista, algo que para ele não teria futuro algum.

Alfredo da Cunha revela que Sousa Viterbo se matriculou na Escola Médico-Cirúrgica e demorou a tirar o curso de Medicina, que nunca realmente desejou. Enveredou por outros caminhos e foi desde cedo que começou a trabalhar em jornais. Realça Alfredo da Cunha que o nome “Sousa Viterbo” foi inicialmente publicado como autor de poemas que apareciam em jornais no Porto, Lisboa e Coimbra. Rapidamente passou de colaborador a redactor e publicou, em 1870 o seu primeiro livro, O Anjo do Pudor.

Alfredo da Cunha salienta que o seu “grande e querido amigo” e “rara e inconfundível figura intelectual e moral na sociedade portuguesa” Sousa Viterbo nunca foi devidamente reconhecido pela família, num tempo em que ser poeta era ser vadio. Explica Alfredo da Cunha que, nessa época, um dos maiores desgostos que um pai poderia ter era ver o seu filho tão íntimo com as letras.

Segundo o autor, Sousa Viterbo foi poeta, a sua verdadeira vocação, foi jornalista, foi historiógrafo e investigador, foi médico, embora exercendo por pouco tempo, foi professor e foi ainda, algumas vezes, orador. Sobre esta ultima ocupação de Sousa Viterbo, Alfredo da Cunha revela que “a sua eloquência sugestiva e fácil, sóbria e elegante, como o estilo dos seus escritos, apenas se tornasse conhecida de muitos poucos, visto que raramente a sua tímida modéstia o animava a usar da palavra em público”.

Relembrando o seu percurso jornalístico, o autor diz que foi no Porto que Sousa Viterbo se estreou como colaborador, de seguida passou a redactor em vários jornais e director político do Jornal da Manhã, no Porto. Quando foi “forçado” a partir para Lisboa para estudar, Sousa Viterbo começou, também, a trabalhar como jornalista na capital, desta vez no Diário de Noticias. Segundo Alfredo da Cunha, Viterbo é, justamente, considerado um dos mais notáveis jornalistas da época.

Viterbo viria, revela ainda Alfredo da Cunha, a ser alvo da cegueira e da paralisação dos seus órgãos locomotores. No entanto, o autor revela que: “No meio de tantas torturas morais e físicas, raros eram em Sousa Viterbo os gritos dilacerantes de desespero.”

Quando partiu para Lisboa, o poeta nunca se esqueceu da sua cidade natal e a sua maior satisfação era poder mostrar a todos que era natural do Porto. Era com gozo que recordava em crónicas suas as ruas, as gentes e as quintas do Porto.
Ao trabalhar num jornal lisboeta, Sousa Viterbo era, por vezes, confrontado com a rivalidade entre as duas principais cidades do país. Relembra Alfredo da Cunha que, nessas ocasiões, Viterbo rapidamente assumia a sua posição como defensor do Norte e lembrava que estas rivalidades serviam para que ambas pudessem progredir para um futuro mais risonho.

Foi esta, segundo Alfredo da Cunha, a vida de Sousa Viterbo, portuense mas, sobretudo, Português, uma personagem que marcou pela genialidade, pela modéstia e humildade que caracterizam também as gentes nortenhas e que tinha, nas palavras do autor, “a virtude, o culto e o ideal que predominam e avultam no étnico da gente portuense laboriosa – a tenacidade laboriosa. (…) Justo é, pois, que o se não esqueça nem desinteresse deste filho seu.”


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Sérgio Miguel Alves Magalhães
E-mail: sergio.magalhaes@gmail.com
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Jornalismo UFP,
27/05/2010, 20:33