Pacheco, O. (1964)

PACHECO [PAXECO], Óscar (1964). Pequena História de Um Grande Jornal. I Congresso do Diário de Notícias.

Autor: PACHECO, Óscar
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1964
Título completo da obra: Pequena História de um Grande Jornal. Primeiro Congresso do Diário de Notícias
Tema principal: História do Jornalismo
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Diário de Notícias
Número de páginas: 65

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional
Cotas: P. 3242V

Biblioteca: Biblioteca Pública Municipal do Porto
Cotas: B.M.P-W7-9-23


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Óscar Pacheco nasceu em 1904 e faleceu em 1970. Para além desta obra sobre o Diário de Notícias, escreveu monografias sobre Dom Carlos e vários políticos e religiosos tardo-oitocentistas e novecentistas.


Índice da obra

[Não tem Índice]

Um sonho – Grande realidade: p. 3-22
A Acção de Beneficência: p. 23-25
As Grandes manifestações de Carácter Nacional: p. 26-34
Em prol da instrução popular: p. 35-44
As Iniciativas do Diário de Notícias: p. 50 – 65


Resumo da obra (linhas mestras)

Esta obra de Óscar Pacheco descreve, em tom de elegia, a fundação e a evolução do Diário de Notícias, incidindo nos eixos temáticos já referenciados no índice.

Um sonho – Grande realidade

O jornal Diário de Notícias, como o nome indica foi criado com o intuito de relatar a vida nacional e os acontecimentos de maior importância de todos os países. Era, assim, um noticiário universal.

Criado por Eduardo Coelho, um jornalista conhecido, era ele quem redigia o noticiário da Revolução de Setembro e do Conservador. Eduardo Coelho teria também tentado anteriormente a publicação de um jornal, de título Boletim Noticioso.

Associado a este está Tomás Quintino Antunes, proprietário da tipografia universal. Este foi uma mais valia para o DN, publicado pela primeira vez a 29 de Dezembro 1864 (primeiro número-experimental).

O autor da obra diz que o objectivo do DN era ser acessível a tudo e todos, o seu conteúdo teria de ser de interesse geral sendo compreensível a todas as inteligências. Este era um modelo já utilizado em Inglaterra, França, Bélgica e Espanha. A ideia não era pois original destes dois autores e os meios de publicação eram também eles uma cópia do que se usava nesses países, onde se exploravam todos os meios de publicidade.

Para Óscar Pacheco, o DN era o jornal mais barato que já alguma vez havia existido em Portugal e teria sido com ele que apareceu uma nova profissão em Portugal: o vendedor de jornais ou ardina. Esta profissão foi evoluindo, mas foi graças a este jornal que se fundou a associação de socorros mútuos e escolares dos vendedores de jornais. A vida desta pequena associação prosperou graças ao subsídio do DN. Foi com este jornal que se afirmou também um dos géneros jornalísticos em Portugal: a reportagem. Este fenómeno foi de tal ordem que, segundo Pacheco, o jornal já superava muito do que de melhor se fazia no estrangeiro.

Outra criação do Diário de Notícias foi a publicidade, indússtria que estaria em prosperidade no nosso País.

Até ao aparecimento do DN, a publicidade era escassa, podia ver-se essencialmente no jornal: O Grátis. O DN veio alterar este cenário, passando assim a publicidade a entrar nos hábitos diários da sociedade.

Para implementar este hábito, o DN chegou mesmo a criar um espaço somente para este género, chegando assim a ter a tabela mais barata dos jornais da Europa.

A publicidade teve tanto sucesso, diz o autor, que o DN teve de retirar uma quantidade enorme de notícias, tendo mais tarde aumentado o formato. A propósito deste fenómeno, Inácio de Araújo criou mesmo um poema sobre o assunto:

“Curiosos neste mundo,
Mais ou menos todos são;
Novidades e notícias
Sempre têm aceitação

E, por isso, se a verdade,
Um jornal não atropela
Nas noticias que apresenta,
Vende-se como canela.

Se bons artigos de fundo
Muita gente passa em claro,
Lê com certeza os anúncios,
E escapar-lhe um só é raro.”

Foi também com este jornal que, de acordo com o autor, se desenvolveram as artes gráficas em Portugal, implementando o uso da máquina rotativa Marinoni, sendo esta substituída logo de seguida por uma maior, a Augsburgue. Esta era capaz de produzir tiragens de 12000, 24000 ou 48000 exemplares à hora.

É ainda ao DN que, segundo Peixoto, se deve ainda a introdução da máquina Linotype, que veio fazer uma revolução na arte de compor.

A Acção de Beneficência

Óscar Peixoto revela que o Diário de Notícias, durante o seu longo reinado, promoveu inúmeras acções de beneficência em instituições de apoio: aos pobres, às crianças abandonadas e doentes, aos estudantes com poucos recursos económicos, aos hospitais, às creches, às várias associações públicas e muitas e muitas iniciativas levadas a cabo desde a sua fundação, em 6 Janeiro de 1865.

É de salientar o apoio prestado às vitimas do terramoto de Benavente, em 1909, cujos donativos foram canalizados para a construção de um bairro com o nome Diário de Notícias, em que o rendimento auferido com as rendas dava para sustentar as crianças daquela vila.

Qualquer acontecimento podia contar com a ajuda incondicional do Diário de Notícias, quer fosse nacional ou internacional; como aconteceu no terramoto de Agadir. Também aqui o jornal fez uma subscrição a favor das vítimas.

As Grandes manifestações de Carácter Nacional

A presença do DN, segundo Paixoto, fazia-se sentir também, em todas as manifestações de carácter político. De realçar a campanha da união Ibérica em que o DN tomou posição contra esse projecto, mas a favor das boas relações entre Portugal e Espanha.

O Diário de Notícias, relembra, mais uma vez, o autor, assumia iniciativas culturais relevantes como: comemorações de acontecimentos históricos caídos no esquecimento. De salientar Camões, exortado nas colunas do DN em 10 de junho de 1865. Mais tarde, O DN distribuía uma edição de “Os Lusíadas”, gratuitamente, aos seus leitores, como homenagem ao grande poeta; assim como foi distribuído um exemplar a cada escola primária do então, Reino de Portugal.

Eduardo Coelho, director do DN, foi a pessoa que mais contribuiu para a realização das comemorações do tricentenário de Camões, assim como para o Congresso das Associações Portuguesas.

Em resumo, Peixoto pretende que todas as datas históricas nacionais e internacionais de relevo, foram assinaladas, pelo DN.

Em prol da instrução popular

Um dos aspectos mais relevantes da acção do Diário de Notícias, foi a expansão da instrução popular, incutindo o gosto pela leitura.

Ao fim de seis anos de existência, destaca Peixoto, o jornal contava já com 1500 artigos: de história pátria e universal, geografia, cronologia, artigos biográficos e bibliográficos, economia social, história sagrada, higiene popular, artigos de física, química e medicina, assim como muitos outros.

Como elemento educador, diz o autor, DN teve sempre um valor notável, tantos foram os conhecimentos úteis que difundiu pelas freguesias rurais do país: “No 1º Congresso Pedagógico, em Abril de 1908 o DN, foi proclamado sócio benemérito da Liga Nacional de Instrução, contribuindo valiosamente para o desenvolvimento da instrução popular.” (p.38)

Mas, segundo Óscar Pacheco, é no ano de 1931 que a obra do DN atinge o seu apogeu, com a iniciativa de uma campanha contra o analfabetismo. A esta campanha aderiram: escritores, poetas, pedagogos, professores, jornalistas, livreiros, associações, faculdades, o bispo do Porto, o apóstolo do ensino primário (Figueirinhas) e outras figuras conhecidas. O governo toma providências, no sentido de criar cursos nocturnos para instruir os analfabetos. De todo o país houve um acolhimentos entusiástico à campanha lançada pelo jornal.

Aliás, este aspecto, de difusor da instrução popular, foi sempre uma das grandes preocupações do DN, ao qual aderiram inúmeras figuras da cultura portuguesa.

As Iniciativas do Diário de Notícias
Todos os grandes acontecimentos, quer nacionais, quer internacionais, ocorridos durante o último século estão referidos nas colunas no Diário de Noticias. É com esta ideia que Óscar Pacheco inicia o último capítulo da sua pequena obra.

Para o autor, o DN assistiu a três reinados e manteve sempre o seu objectivo, servir Portugal, apoiar o que era de apoiar, achar mal o que havia de censurar.

Pacheco revela que o Diário de Noticias promoveu, ainda, diversas iniciativas de importância nacional. Alguns exemplos dessas iniciativas foram: a realização de um congresso internacional de turismo em Lisboa, lançando a ideia da efectivação de congressos regionais; a realização de uma série de conferências sobre “O problema português”, sendo que dentro deste tema foram abrangidos diversos itens, nomeadamente: “O problema da educação”, “O ensino técnico”, “O problema agrícola”, entre outros. Foi também realizada uma campanha em prol da valorização e engrandecimento do Ultramar e desenvolveu-se o interesse pela aviação, estabelecendo-se um prémio para o primeiro aviador a realizar a ligação aérea entre a Metrópole e o Ultramar.

Nas colunas do Diário de Notícias, destaca o autor, estão arquivadas entrevistas que contaram com a colaboração de algumas das mais notáveis figuras do século, como por exemplo: os Papas Bento XV e Pio XI, chefes de estado como Afonso XIII, Jorge da Grécia, príncipe Alberto do Mónaco, Presidente da Polónia, entre outras figuras de grande prestígio.

Entre os muitos congressos promovidos pelo Diário de Notícias, há que citar os da Imprensa Latina, o primeiro realizado em Lyon (França) e o segundo em Lisboa.

Tal como na primeira grande guerra, no segundo conflito universal o Diário de Notícias, defendeu sempre o interesse nacional.
Para melhor servir a causa do desporto, o DN fundou o jornal Os Sports, tendo como primeiro tema o hipismo, de seguida o automobilismo, o ciclismo (com a realização da Volta a Portugal) e, mais tarde, o futebol.


Autor (nome completo): Inês Isabel Rodrigues Santos
E-mail: inexita_007@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
08/06/2010, 07:41