Freire, J. (1939)

FREIRE, João Paulo (1939). O Diário de Notícias. Da Sua Fundação às Suas Bodas de Diamante. Escôrco da Sua História e das Suas Efemérides. Edição Comemorativa das Bodas de Diamante do Diário de Notícias.

Autor: FREIRE, João Paulo
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação): 1939
Ano de publicação/impressão: 1939
Título completo da obra: O Diário de Notícias – Da sua Fundação às suas Bodas de Diamante. Escôrço da sua história e das suas efemérides.
Tema principal: História do Jornalismo
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Diário de Notícias. Lisboa, 1939
Número de páginas: 419 (1º Volume) + 489 (2º Volume)

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional Cotas: P. 2969 V.


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

João Paulo Freire nasceu numa pequena aldeia situada a cerca de três quilómetros de Mafra, a 14 de Setembro de 1885, e faleceu em 1953, em Lisboa. O seu enterro foi no Porto, a terra do seu coração e a cidade que mais o respeitou e amou. Foi jornalista e escritor, destacando-se pelo seu estilo combativo. O jornalismo de crítica e combate foi sempre a sua melhor arma e ficou mesmo conhecido como um jornalista que não só era respeitado como temido. Trabalhou para vários jornais, como Campo de Ourique, O Distrito de Beja, A Ordem, A Nação, A Capital, Diário Ilustrado e Jornal de Notícias. Neste último, escreveria as suas últimas crónicas pouco antes de morrer.


Índice da obra

1º volume

Prefácio: p. 5
Capítulo Primeiro – Breve escôrço sobre a fundação, os seus primeiros números, a sua aceitação junto do público, como sentido de ligação entre o passado e o presente: p. 11
Capítulo Segundo – O país ao findar o ano de 1914: p. 61
Capítulo Terceiro – De Janeiro de 1915 a Dezembro de 1918: p. 111
Efemérides do Diário de Notícias de 1 de Janeiro de 1915 a 31 de Dezembro de 1919: p. 127
Capítulo Quarto – De 1919 a 1926: p. 165
Efemérides do Diário de Notícias de 1 de Janeiro de 1919 a 31 de Dezembro de 1926: p. 187
Capítulo Quinto – De 1927 a 1938: p. 275
Efemérides do Diário de Notícias de 1 de Janeiro de 1927 a 31 de Dezembro de 1938: p. 313

2º Volume

Capítulo Primeiro – organização geral: p. 17
Capítulo Segundo – Descrevem-se minuciosamente as instalações do novo edifício: p. 109
Capítulo Terceiro – Uma publicação em curso: p. 119
Capítulo Quarto – Publicações que existiram: p. 155
Capítulo Quinto – Cultura económica e cultura científica: p. 175
Capítulo Sexto – A secção de edições: p. 189
Capítulo Sétimo – O que é, o que vale e o que representa, na vida social, desportiva e económica do País a iniciativa da “Volta a Portugal em bicicleta”: p. 223
Capítulo Oitavo – O que representa o Diário de Notícias na economia da Nação, como força construtiva: p. 237
Capítulo Décimo – O Diário de Notícias no Império Colonial Português: p. 255
Capítulo Décimo Primeiro – A Projecção do Diário de Notícias na cultura da Nação como força construtiva: p. 273
Capítulo Décimo Segundo – A inauguração da nova sede: p. 305
Efemérides: p. 429


Resumo da obra (linhas mestras)

Esta obra é uma edição comemorativa das Bodas de Diamante do Diário de Notícias. No seu prefácio é citado o prefácio de outra obra relativa à fundação do Diário de Notícias e aos seus fundadores, da autoria de Alfredo da Cunha, director do jornal: “O Diário de Notícias é, portanto, o décimo jornal português, não oficial, que pode festejar as bodas de ouro desse consórcio espiritual com os seus leitores e cooperadores. E ao fazê-lo, sente-se com a energia e o vigor dos melhores anos da mocidade.” Esta obra reportava-se a 1914, ideia que seria ainda mais reforçada 25 anos volvidos por João Paulo Freire.

Ao longo de todo o livro, podemos ver várias ilustrações, gravuras ou fotografias que contextualizam a história do mais antigo jornal português ainda em circulação. Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias e seu primeiro director é a primeira figura destacada.

No primeiro capítulo, o autor fala dos primeiros números do jornal, bem como da sua fundação. Explica a ligação entre o passado e o presente através da aceitação do público. Este primeiro volume da obra é mais cronológico e descritivo do que o segundo, que acaba por ser mais analítico. As ilustrações permitem avaliar a evolução do jornal, como acontece, por exemplo, com o número de anúncios, em comparação a primeira edição, uma edição de 1914 e outra de 1939 (p. 27). Estes três anos, 1864, 1914 e 1939 são constantemente referidos como marcos na história do jornal – como é natural, tratando-se do ano da fundação, dos 50 anos e dos 75 anos, que se comemoram nesta obra. Mas este primeiro volume não se limita a ser descritivo, pese embora o tom elogioso. O autor destaca uma vez mais Eduardo Coelho: “é que não faz jornalismo quem quer, mas sim quem é de facto jornalista, e Eduardo Coelho era-o no mais alto grau desta especialidade comunicativa, social e mental.” As alterações gráficas são também analisadas aqui, com destaque para as mudanças nos cabeçalhos. (p.31) A crítica aos críticos e à pequenez de um país (já então) não passam ao lado desta obra: “Claro que, num país pequeno como o nosso, a inveja cria por vezes fundas raízes, e as más vontades surgem como cogumelos em terreno fresco. Foi o que aconteceu com o Diário de Notícias, cujos inimigos, despeitado uns, supostamente prejudicados outros, lhe começaram movendo uma guerra sem tréguas, nem sempre elegante, e, por via de regra, grotesca. E também já nesta altura, em 1939, João Paulo Freire encontra um vício no português que se mantém actual. Se hoje se queixam alguns do anonimato de críticas que circulam na Internet e nos blogues, já naquela altura isso acontecia através de cartas: “Um dos grandes vícios do português foi sempre o uso e abuso da carta anónima, arma infame e infamante de que se servem todos quantos não conseguem estabelecer na sua atrasada mentalidade o predomínio da dignidade e da honra.”

Como curiosidade, é referido também na obra, a iniciativa, entre outras, de em 1880 o Diário de Notícias distribuir, gratuitamente, a grande edição popular dos lusíadas – 30 000 exemplares.

Há lugar também para as inovações técnicas: “Em 1903, o Diário de Notícias começava a ser impresso em grande máquina rotativa de Augsburg, para jornais de doze páginas…” (p. 53) com direito a fotos ilustrativas das referidas máquinas nas páginas seguintes (p.55).

A censura é também abordada nesta obra, que ao reflectir alguns acontecimentos noticiados no Diário de Notícias, acaba por revelar a história do nosso país, com especial relevo para primeira metade do século passado.

Na procura de depoimentos notáveis que abrangessem todas as províncias de Portugal, João Paulo Freire chega a obter resposta poética – Jornalismo e Poesia (p.275), por António Correia de Oliveira. A pergunta é sempre a mesma: “Qual tem sido a projecção do Diário de Notícias na cultura da Nação, como força construtiva?” – as respostas variadas, de Agostinho de Campos, Sousa Costa, Ferreira de Mira, entre outros, sempre com referências biográficas aos entrevistados em roda pé. Algo em comum todos mantêm, o tom constantemente elogioso ao Diário de Notícias, como referência do Jornalismo em Portugal.


Autor: João Manuel Mesquita Pires Malainho
N.º de matrícula na UFP: 12131
E-mail: JoaoMalainho@clix.pt
Ċ
Jornalismo UFP,
28/05/2010, 14:40