Veloso, R. (1910a)

VELOSO, Rodrigues (1910). Jornalistas Portugueses I. António Rodrigues Sampaio.

Autor: VELOSO, Rodrigo
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação): 1910
Ano de publicação/impressão: 1910
Título completo da obra: Jornalistas Portugueses – António Rodrigues Sampaio
Tema principal: Jornalistas e Vida Profissional
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Tipografia Minerva – Famalicão
Número de páginas: 27

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional
Cotas: HG-15146//1P

Biblioteca: Biblioteca Pública Municipal do Porto
Cotas: Q2/2-94 (7)


Esboço biográfico sobre o autor

Jornalista, bibliófolo, Rodrigo Veloso nasceu em 18XX e morreu em 1913.


Índice da obra

[Não tem índice]

Razão pela qual escreve este memorando: pp5-7
Motivo pelo qual faz este registo e o porquê de o fazer em relação a António Rodrigo Sampaio: pp. 7-11
Comemoração do centésimo aniversario de António Rodrigo Sampaio: pp. 11-12
O que foi dito na imprensa Nacional: pp. 12-16
Transcrição do artigo publicado por um dos mais antigos militantes da imprensa do Minho: pp. 16-23
Comentário a outras notícias que foram escritas por outros jornais: pp. 23-26
Lamenta a “guerra” contra António Rodrigo Sampaio, pela parte de Gomes Leal: pp. 26-27


Resumo da obra (linhas mestras)

Esta obra é um registo biográfico e elogioso daquele que o autor considera o “mais importante” jornalista português do século XIX, António Rodrigues Sampaio. Veloso fala da vida do biografado, desde jovem até à sua morte.
Rodrigo Velloso começa por explicar o seu objectivo com esta obra:

“Pela aparência podem pensar que o meu objectivo é falar dum grupo de escritores que se tenham salientado no jornalismo; não é verdade, o objectivo é mais modesto e pretendo apenas fazer um registo simples de algumas pessoas que entraram no jornalismo e ai se fizeram notar pelo seu mérito/qualidade e são poucos/contam-se pelos dedos da mão. O jornalismo exige qualidades que poucos têm.

Os bons (poucos) são jornalistas e os outros jornaleiros, estes que apenas se interessam pelo dinheiro que recebem. O pequeno grupo dos bons de que vou falar não posso começar melhor senão por António Rodrigo Sampaio. Ele é primeiro não só na ordem por que começo mas também pelas suas qualidades/predicados.”

Segundo o autor, António Rodrigo Sampaio nasceu em Esposende, no dia 25 de Junho de 1806. O centenário comemorou-se em 1906, em Esposende, por iniciativa de Xavier Viana, entre outros, para homenagear o homem e seus legados.

Tal homenagem, segundo o autor, foi pouco divulgada e foram poucos os jornais que a “preconizaram” e poucas as pessoas que a ela aderiram – só se conseguiram 324 reis para a construção do monumento em homenagem ao jornalista, contribuindo com 100 reis o jornal Notícias de Lisboa. Foram também poucos os jornais que o lembraram com pequenas notícias – excepção do Diário de Notícias que o lembrou em primeira página e em textos de Sousa Viterbo, nos quais se pedia a compilação da obra de Sampaio. O autor aponta o “medo” de jornais e jornalistas ao perfil do jornalista António Rodrigues Sampaio para explicar essa quase invisibilidade das celebrações do centenário do seu nascimento na imprensa. Apesar de tudo, Veloso revela que a revista Ocidente dedicou a Sampaio o seu número 993 quase por inteiro, incluindo a publicação de retratos, e a Ilustração Portuguesa também o evocou, num artigo de Sérgio de Castro.

Revela também o autor que por ocasião da celebração do centenário do nascimento de Sampaio se fez uma publicação única, na qual Veloso escreveu. Nela, Veloso revela que António Rodrigo Sampaio veio de uma família de lavradores de classe media, mas, sem vocação para continuar a lavoura, manifestou o interesse em continuar a estudar. Por isso, seus pais, com sacrifício, permitiram que estudasse para padre. Nos estudos, Sampaio demonstrou “inteligência e apego ao trabalho”, salienta Veloso. Dadas estas características o Convento de Viana interessou-se por ele, o que agradou aos pais mas não a ele – ele era liberal. Apesar disso, estudou em Viana e em Braga e subiu ao púlpito várias vezes, mas as suas ideias políticas impediram-no de chegar mais longe.

Veloso conta também que a vida política de Sampaio se iniciou em 1828, sendo preso em 1831. Conheceu na prisão Ferreira Tinoco, advogado de Barcelos – seu protector e com quem muito aprendeu enquanto esteve preso. Mais tarde, segundo o autor, Sampaio lutou ao lado dos liberais na guerra civil, tendo depois sido admitido no jornal Vedeta da Liberdade, onde logo deu mostras do seu valor.

Quando Manoel da Silva Passos subiu ao poder, Sampaio, tornou-se secretário-geral do Distrito de Bragança e de seguida governador de Castelo Branco. Mais tarde foi demitido graças as suas ideias políticas e foi para Lisboa convidado por José Estêvão e Mendes Leite, para o jornal Revolução de Setembro, do qual foi também director. Redigiu o Espectro quando fechou o jornal Revolução de Setembro – uma obra contra o regime de Cabral.

Para Veloso, a obra de António Rodrigo Sampaio como jornalista é um das mais “brilhantes páginas da imprensa portuguesa”, pelo que o autor expressa pena por não ter sido publicada.

De António Rodrigo Sampaio pode dizer-se, ainda, segundo os dados avançados por Rodrigo Veloso, que foi conselheiro do Tribunal de Contas (1879), ministro do Reino (1870/71/79) e presidente do Conselho de Ministros em 1881, sendo a sua passagem pelo Governo assinalada por medidas progressistas e liberais. Pelo meio, promoveu uma nova Lei Eleitoral e um novo Código Administrativo. Morreu de velhice em 13 de Setembro de 1888.

Quase a encerrar o seu livro, o autor recorda a campanha “injusta” contra Sampaio feita pelo adversário politico Gomes Leal.


Autor (nome completo): José António da Silva Monteiro
E-mail: goomestre@gmail.com
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Jornalismo UFP,
13/06/2010, 17:18