Pinto, A. (1872)

PINTO, (António) Silva (1872). Sobre a Questão da Imprensa. Aos Jornalistas Futuros.

Autor(es): PINTO, Silva Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1872
Título completo da obra: Sobre a Questão da Imprensa
Tema principal: Teoria do Jornalismo
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Imprensa de Joaquim Germano de Sousa Neves
Número de páginas: 15

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional Cotas: SC 12962//14P

Biblioteca: Biblioteca Pública Municipal do Porto Cotas: X-6-205(6)


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Silva Pinto nasceu em Lisboa, no ano de 1848 e faleceu na mesma cidade em 1911. Jornalista e importante memorialista, foi um dos fundadores e redactores do jornal O Espectro de Juvenal. Polemista prolífico e amigo de Cesário Verde, editou o seu Livro Póstumo. Teórico e crítico de arte, foi defensor do realismo na obra Do Realismo na Arte; mas, numa outra obra intitulada Realismos, tomou posição inversa. Traduziu Balzac e J. Verne e experimentou, também, o drama e o romance.


Índice da obra

[Não tem índice.]

Identificação do suporte utilizado na publicação e elucidação sobre os motivos da sua escrita: Advertência

Parte I:
Descoberta de escândalos na imprensa lisbonense: pp. 7
Ocultação de factos por parte de António Augusto Teixeira de Vasconcellos: pp. 7-8
Exposição de alguns factos ocultados: pp. 8

Parte II:
Crítica ao Diário de Notícias: pp. 9
*Enumeração de actos incorrectos de uma folha lisbonense: pp. 10
Referência a jornais estrangeiros e a modelos jornalísticos clássicos: pp. 10-11
Elogios a Teixeira de Vasconcellos: pp. 11

Parte III:
* Identificação da folha lisbonense: pp. 12
Evocação de autores que demonstram a sua razão: pp. 12-13
Citação de uma parte importante do Le Monde marche: pp. 13
Indiferentismo, por parte da opinião pública, sobre o que é escrito: pp. 14-15

Conclusão: pp.15


Resumo da obra (linhas mestras).

O autor, Silva Pinto, faz uma pequena introdução sobre o tema que vai tratar, identificando-o: “Trata-se da questão da imprensa”. Dá, então, conta de escândalos que foram noticiados na imprensa: “fala-se de anúncios amorosos; de anúncios indigentes, pagos pelos próprios indigentes; de excessiva minuciosidade na descrição de qualquer crime de mercantilismo na imprensa, etc.” O autor diz, também, que se a acusação não tiver sido levantada por António Augusto Teixeira de Vasconcellos, terá sido, no mínimo, provocada por ele. No entanto, Teixeira de Vasconcellos terá ocultado alguns factos que o público deveria conhecer. Silva Pinto enumera alguns dos factos não referidos: “É (…) deplorável o programa adoptado pelo Diário de Notícias e muito para indignar os homens probos e rectos, o espectáculo dos 300 ou 400 anúncios com que aquela folha inconsciente nos mimoseia ao domingo; mas, creio que o Sr. Teixeira de Vasconcellos partilhará da minha indignação ao pensar numas cartas fabricadas em Lisboa e datadas de … Versalhes, por exemplo, com que outros jornais da capital mimoseiam os seus crédulos ou incrédulos leitores”. Segundo o autor, houve um facto que teve um efeito bastante agradável em si: “Um colaborador de uma folha lisbonense, irritado porque uma empresa teatral qualquer não punha em cena as suas traduções ou imitações, encetou, na folha em questão, uma revista onde fulminava (sic) os pobres actores do infeliz teatro desprotegido”.

O autor critica o Diário de Notícias, dizendo que este devia seguir o exemplo de certas folhas “nobres, mais modernas e menos conhecidas”. Para além desta folha, Silva Pinto refere uma outra, referindo-se-lhe como “Uma folha lisbonense, assaz conhecida entre nós e especialmente conhecida pelo Sr. Teixeira de Vasconcellos” que teria declarado “não lhe permitir a falta de espaço a publicação de cartas de Thomaz Ribeiro”. Outros exemplos de erros desta folha vão sendo dados, entre os quais, a identificação do autor Gerfaut como realista. O autor pretende mostrar que o jornalismo não é isto ou, no mínimo, não deve sê-lo. Silva Pinto afirma não querer encontrar o jornal a seguir como modelo, pois há tantos que são bons que, decerto, surgiriam reclamações. Diz, também, não ir buscar como modelos os periódicos franceses de tempos ulteriores ou da Restauração; nem ir buscar modelo jornalístico à Roma Antiga, nem a Inglaterra e nem a Itália. Continua o seu pensamento dizendo que “ O jornal modelo, a Phoenix jornalística, forte pelo tríplice dom da ciência, da consciência e da austeridade do seu fundador, só pode ser iniciado entre nós pelo conhecido jornalista, o Sr. Teixeira de Vasconcellos”.

Silva Pinto identifica o Jornal da Noite como a segunda folha lisbonense que criticou. Citando um grande vulto de Royer-Collard, o autor diz que antes de ser uma instituição política, o jornal é uma necessidade social. Continuando com as citações que, aliás, são uma constante nesta parte do texto, o autor refere-se a uma frase de Monsiegnat que diz o seguinte: “O jornal é necessário aos homens do nosso tempo como aos romanos os espectáculos do circo”; Silva Pinto diz que esta frase se aplica à sua época, mas com uma ligeira alteração, explicando que é outra a missão da imprensa e que Teixeira de Vasconcellos concordará, decerto, com ele. “Quando um leitor diz: Vejamos quantas mentiras diz a Gazeta de tal (…), só resta ao jornalista independente e honesto cobrir o rosto, se o desalento lhe proíbe o protestar”.

Mais à frente, o autor diz que se crê que adjectivos como Justo, Verdadeiro e Belo não são com letra maiúscula e que se conta com o auxílio dos ditos “sacerdotes do jornalismo” para se dizer lealmente o que se pensa. Silva Pinto cita o Le Monde marche a Teixeira de Vasconcellos e pede licença para “aplicar aos jornalistas aspirantes a ministros alguns trechos do citado período e submetê-los-ei à apreciação independente do Sr. Vasconcellos”. É também, afirmado que Teixeira de Vasconcellos terá a mesma visão sobre a parte noticiosa, vendo, entre outras coisas, a mentira, a adulação servil, o impudor, a paixão mesquinha e o interesse sórdido. Face a isto, o veredicto da opinião pública é o indiferentismo, pairando, desta forma, uma desconfiança perpétua sobre o jornalismo. O protesto existe, mas é verbal :“Nada que esclareça as gerações de amanhã sobre o nosso trabalho e sobre os nossos erros”.

O autor coloca, na sua obra, várias questões, das quais se destaca a última, que questiona se a imprensa não será, assim como a literatura em geral, mais do que o registro de uma evolução. De seguida, é dito que não se pode declinar a responsabilidade dos actos dos jornalistas sobre a influência dos meios.

Referindo-se de novo ao indiferentismo, Silva Pinto afirma que “O indiferentismo pela imprensa da parte mais ilustrada dos leitores, não exclui a influência nefasta de uma propaganda inconsciente sobre as classes onde a escassez de critica predomina. O homem do povo vai procurar nessas fontes impuras a noção do direito e do dever. A acusação que sobre ele pesará mais tarde pela interpretação falsa do evangelho social, deve recair sobre os apóstolos da mentira e do erro”.

Para concluir, Silva Pinto, reconhece que as suas palavras nada alterarão na forma de se fazer jornalismo; mas, anima-se com o facto de a sua obra prevalecer ao longo do tempo. Este vê a sua obra como “Registro incompleto, incorrecto talvez, desordenado enfim, de uma tentativa de regeneração, a mais urgente e a mais eficaz; regeneração que só tem a condená-la na sua origem o excesso de lealdade do Sr. Teixeira de Vasconcellos e das virtudes correlativas do antigo jornalista”.


Autor: Ana Irma Osório Amorim Coelho
E-mail: anairmacoelho@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
08/06/2010, 08:05