Caio, H. (1966)

CAIO, Horácio (1966). Televisão: Iniciação às Técnicas de Produção de Programas.

Autor: CAIO, Horácio

Ano de elaboração (caso não coincida com ano de elaboração)

Ano de publicação/impressão: 1966

Título completo da obra: Televisão: Iniciação às Técnicas de Produção

Tema principal: Teoria do Jornalismo

Local de edição: Lisboa

Editora (ou tipografia, caso não exista editora): s/e

Número de páginas: 99

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas

Cota na Biblioteca Municipal do Porto: W2-1-40

Esboço biográfico sobre o autor

O autor foi fotógrafo, jornalista e produtor da RTP.

Índice da obra

I Perspectivas e implicações gerais do fenómeno TV 13

II Complexidade das estruturas de uma estação de Televisão 25

III Natureza dos programas de Televisão. Factores humanos 39

IV O aproveitamento das características da TV produção de programas 57

V O trabalho do realizador. Géneros de programas 81

VI Um esquema de Directoria de Programas 91

Bibliografia 99

Resumo da obra (linhas mestras)

Este livro pretende apresentar as técnicas de produção em televisão, tendo intuitos pedagógicos num país que pouco conhecia deste meio, que, graças ao papel da visão, é, segundo o autor, “um meio de recepção propício e aliciante” (p. 21). “Por isso, a televisão ganhou (…) a maior popularidade em quase todos os sectores, nomeadamente naquelas classes de indivíduos privadas de normal vida de relação. Outros atractivos pertencem ao novo método de radiodifusão pela imagem, os quais ou são suas características naturais ou constituem aproveitamentos conseguidos pela sua técnica: referimo-nos à instantaneidade, intimidade, actualidade e participação do espectador do próprio espectáculo” (p. 21), diz o autor, que ainda salienta: “a televisão, actuando objectivamente, facilita a aproximação entre os homens, fomenta a transmissão do conhecimento e excita a curiosidade.” (p. 23). No entanto, Caio também recorda uma citação de Sérgio Puliese, segundo a qual “Na televisão não existe uma única verdade abstracta que não possa ser interpretada” (p. 23).

O autor começa por relembrar que foi em 1957 que surgiu o primeiro êxito indiscutível da temporada na televisão. O programa “Sunrise Semester” teve um êxito que nem os próprios produtores poderiam ter presumido. Foi nessa altura que, de acordo com Caio, se iniciou a imensa tarefa de ensinar através da televisão. Foi a partir daí que tanto na rádio como na televisão, assegura Horácio Caio, começaram a ser bem definidos os conteúdos das mensagens e das técnicas de emissão e recepção. Colocou-se, então, “o problema da heterogeneidade dos grupos receptores” (p.16), cujas “exteriorizações ainda que espontâneas da emissão, devem ser colocadas num quadro geográfico, histórico e sócio-cultural bem definido.” (p.16) Segundo o autor há toda uma dialéctica divertimento-educação-ensino que, conscientemente, deverá potenciar o enriquecimento humano caso se saiba tirar proveito da difusão da televisão.

A seguir, o autor fala das estruturas produtivas em televisão, sendo enfatizada a importância do vídeo, recém-introduzido nas estações de televisão. Fala, também, dum equilíbrio necessário na programação, para precaver qualquer tipo de choque e também para o bem da televisão. A distribuição dos vários tipos de programas é, aliás, de acordo com Horácio Caio, uma tarefa “delicada”, devido às consequências sociais da programação. Na sequência dessas considerações, o autor compara a televisão, ao cinema e ao teatro. Para Caio, a televisão tenta-se firmar como arte, o que implica a necessidade de se generalizar o conceito de arte.

A televisão, relembra o autor, é a mistura de imagem, som e palavra. Em televisão, explica Horácio Caio, nada pode ser improvisado e para isso existem já várias técnicas. Em conformidade com o autor, é muito importante, nesse contexto, o desempenho do produtor, pois é este quem dirige toda uma equipa de maneira a que a mensagem passe da melhor forma. Por isso, segundo Caio, o produtor de televisão tem de ser brilhante na forma como trata a imagem. Como afirma o autor, “na televisão tudo se resume a escrever para a vista” (p. 57), “as palavras devem pretender um efeito contributivo e não de reforço da imagem” (p. 58). E como ninguém é obrigado a saber escrever para televisão e em televisão, foram criadas regras de auxílio a quem tem essa tarefa.”O desenvolvimento a dar a uma historia tem de estar conforme o tema” (p.59), lembra o autor. Segundo ele, o “produtor não deve perder de vista que, em geral, que além de contar com a possibilidade de escolher três imagens diferentes, dispõe de vários planos (pois cada câmara tem pelo menos quatro objectivas de maior ou menor afastamento”. (p.59) “Além disso, pode usar cada uma ou várias câmaras com estas funções especificas: 1) operando como personagem subjectivo; 2) operando como testemunha visual da cena; 3) operando como telespectador”. (p. 59). E é nesta fase que o modo de captar a imagem é igualmente importante. O produtor deve ter uma noção exacta do tempo que cada imagem deve permanecer no ar, argumenta Caio. “O ritmo da mudança de planos deve ser conforme o ritmo intrínseco do próprio contexto” (p. 60), explica o autor. Caio relembra, porém, que a transição entre planos numa narrativa audiovisual tem mais do que uma alternativa de execução, podendo o produtor escolher o seu estilo.

Relativamente ao funcionamento jornalístico da televisão dos anos Sessenta, o autor explica que “Uma estação de televisão com dez horas de emissão diária deve fornecer pelo menos oito serviços de notícias, mais ou menos breves consoante o material de que disponha. Em geral, essa tarefa é cometida a um departamento que conta com um numero grande de notícias, laboratórios de revelação e cópia, salas de montagens, uma secção especializada da cenografia e fotografias, locutores e apresentadores privativos, vastos arquivos de material filmado e fotográfico e equipas de repórteres de filmagem (…) e meios próprios de deslocação” (p. 64). Mais à frente, explica: “Uma primeira regra de apresentação é a seguinte: toda a notícia em Tv deve ser ilustrada quanto possível. Nem sempre, porém, isso é viável, porquanto uma outra regra aconselha que a actualidade não deve ser sacrificada à ilustração. Assim, as noticias são fornecidas ao espectador de dois modos: ilustrada como imagem (locutor off) ou lida directamente (locutor in ou em vivo)” (p. 65). Consequentemente, diz Caio, é necessário escolher o melhor modo de apresentar cada notícia.

Caio continua a sua exposição relembrando que em telejornalismo a linguagem deve ser simples e as frases curtas, de modo a permitirem o entendimento geral da mensagem. “O estilo da notícia deve ser simples e sem ênfase. O estilo coloquial é o mais indicado em TV. Deve evitar-se o emprego de cifras exactas, o que não significa que sejam deturpadas” (p. 65), refere também o autor, argumentando que só assim a mensagem poder despertar o interesse do publico e evitar confusões.

Depois de todas as tarefas realizadas pelo produtor e a restante equipa de produção, Caio explica que a responsabilidade pela produção televisiva passa, finalmente, para as mãos do realizador. Este é o elemento que tem que ser mais apaixonado pelo seu trabalho, pois deve procurar constantemente soluções originais para os problemas que tem que enfrentar. A mensagem recebida pelo público resulta da linguagem plástica do realizador, explica Horácio Caio.

Na Televisão Portuguesa dos anos Sessenta existiam, ainda, várias outras equipas de produção e directorias, todas elas chefiadas pelo Conselho Director de Produção, a que se juntavam quase sempre, os restantes directores da estação. Existiam, igualmente, vários departamentos executivos para cada tipo de programa (programas noticiosos e de actualidades, programas dramáticos, programas musicais e de variedades, programas infantis, juvenis e femininos, programas culturais, programas desportivos, programas escolares educativos e os programas de concursos) e as respectivas secções.

O livro de Caio inclui, em síntese, abundante informação sobre a organização da Rádiotelevisão Portuguesa nos anos Sessenta; sobre linguagem televisiva; sobre escrita para televisão (dificultada pelo facto de a TV se dirigir a todos os públicos), que tem de respeitar a imagem e de ser audível; sobre as formas de passagem de uma imagem para outra (corte, encadeado e fusão); etc.

Finalmente, Caio relembra que a Televisão Portuguesa dos anos Sessenta prestava “serviço comunitário”, outra forma de dizer “serviço público”.

Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Rui Ferreira Lamoso

E-mail: ruilamoso@hotmail.com