Cunha, A. (1941)

CUNHA, Alfredo.(1941). Elementos para a História da Imprensa Periódica Portuguesa (1641-1821). Separata das Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, classe Letras, 4.

Autor: CUNHA, Alfredo da
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação): 1941
Ano de publicação/impressão: 1941
Título completo da obra: Elementos para a História da Imprensa Periódica Portuguesa (1641-1821)
Tema PRINCIPAL: História do Jornalismo
Local de edição: Lisboa
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Academia das Ciências de Lisboa
Número de páginas: 299

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Nacional: P.7675 V.
Cota na Biblioteca Pública Municipal do Porto: 01-5-177


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Natural do concelho do Fundão, Alfredo da Cunha nasceu em 1863 e faleceu em 1942. Jornalista, exerceu o cargo de director do Diário de Notícias. Casou com a filha do fundador do jornal, D. Adelaide da Cunha. Realizou vários estudos sobre a história do jornalismo português, tendo-se dedicado, em especial, à sua génese.

Índice da obra

Preâmbulo – XII
Introdução – p.p. 1-34
Capítulo I – Século XVII p.p. 35-63
Capítulo II – Século XVIII p.p. 65-120
Capítulo III – Século XIX (1801 a 1821) p.p 121-162
Resenha bibliográfica – p.p 239-283
Aditamento – Gazeta de Lisboa – p.p. 284-285
Gravuras de vários periódicos – p.p. 287-294
Índice Onomástico – p.p. 295-298


Resumo da obra (linhas mestras)

Com esta obra, Alfredo da Cunha pretende dar a conhecer um pouco do que foi a imprensa periódica portuguesa nos séculos XVII, XVIII e XIX (essencialmente até à Revolução Liberal e período subsequente). Trata-se de um livro clássico e minucioso sobre a história do jornalismo em Portugal, no qual foram beber muitas das obras posteriores. O resumo aqui dado, obviamente, não poderá dar conta dessa minúcia com que Alfredo da Cunha narra a história do jornalismo periódico em Portugal.

Antes de se alongar nessa área, Alfredo da Cunha procurou transmitir um pouco em que contexto estava inserido o jornalismo que se praticava em Portugal, bem como o respectivo crescendo de importância na sociedade ao longo dos anos. O autor refere também, de uma forma constante, a evolução do conceito de “liberdade de imprensa” desde então.
Poucos meses depois do começo da imprensa periódica portuguesa, lembra, a propósito, Alfredo da Cunha, uma lei implementada por D. João IV proibia as gazetas que tivessem notícias do reino ou de fora, o que condicionou, desde logo, um começo saudável da imprensa periódica. Por esta altura, ninguém suporia que o jornalismo, dois séculos mais tarde, se viesse a tornar num bem de primeira necessidade, como se tornou. (p. 4).

À medida que a imprensa se ia integrando na sociedade, iam-se formando derivados do conceito de jornalismo. Por exemplo: jornalismo e jornalista; periodismo; periodístico, periodista e periodiqueiro; folhetista e foliculário; diarista; gazeteiro. Mais tarde outras novidades começaram a fazer parte do vocabulário da imprensa tais como: revista, boletim, arquivo para designarem certas espécies de publicações periódicas, como que intermédias entre o jornal e o livro.

Alfredo da Cunha faz uma observação curiosa quando se refere às contradições do uso da expressão “liberdade de imprensa”, afirmando que “o (…) intuito [do uso dessa expressão] não tem sido outro senão restringir ou refrear aquela liberdade”.

O autor explica que a invenção da letra de forma, ou da imprensa, fez crescer as livrarias e a aumentar a ciência. No entanto, alguns anos mais tarde, essa evolução da imprensa seria também razão de novas publicações, que se proporiam satisfazer, com relativa frequência e intervalos regulares, a curiosidade pública, proporcionando-lhe o conhecimento de “histórias presentes” e “casos que aconteceram”. (p. 35)

O autor lembra que a génese da imprensa periódica em Portugal ocorreu com a publicação da Gazeta e do Mercúrio Portuguez. Estes foram, na designação de Alfredo da Cunha, os “patriarcas do jornalismo português”, que não teve, no século XVII, outros representantes dignos de recordação. A Gazeta pode reputar-se o primeiro periódico de notícias que se publicou em Portugal, e o Mercúrio o primeiro periódico político, de redacção literariamente cuidada. (p. 42)

O Século XVIII é considerado por Alfredo da Cunha como um períoo amorfo no que diz respeito à evolução da imprensa periódica portuguesa. Os dois únicos periódicos, merecedores desse nome haviam nascido no século precedente e no século XVIII morreram. No entanto, segundo Alfredo da Cunha, não se pode considerar um grande feito terem existido dois periódicos no século XVII, uma vez que não tinham contribuído para a edificação do jornalismo como instituição nem determinaram a aparição de jornalistas profissionais. Portanto, “do mesmo modo que a dois livros se não chama biblioteca, nem a dois quadros compete a classificação de museu, as duas folhas seiscentistas não podiam representar o jornalismo como força social, ou sequer deixar entrever o predomínio que ele viria a ter na vida dos povos modernos ”. (p. 65)

No período pombalino, recorda o autor, nenhum periódico teve suficiente relevo para a vida do país ou para a literatura nacional que justifique especiais referências. Alfredo da Cunha refere que o Marquês de Pombal foi um combatente da imprensa, apesar de nem sequer ter visto nela um bom agente de propaganda.

Dos periódicos publicados no século XVIII, nenhum era de carácter político, de combate partidário; nenhum pretendia representar a tão mistificada “opinião pública”, uma vez que, de acordo com Alfredo da Cunha, a opinião dominante, que abafava ou sufocava todas as tímidas opiniões divergentes, “jera a de quem governava”. “Não havia lugar a controvérsias ou comentários sobre a matéria de administração e não havia partidos políticos que se digladiassem pela obtenção do poder, porque este concentrava-se no Rei, segundo as doutrinas que prevaleciam no país”. (p. 114)

Alfredo da Cunha, antes de começar a descrever a imprensa periódica portuguesa no século XIX, refere uma citação de Henry Maret: “escrever a história do jornalismo no século XIX seria escrever a história do próprio século”. Este foi, de facto, em conformidade com Alfredo da Cunha, o século onde se denominou, pela primeira vez, o jornalismo como o “quarto poder”, uma vez que era a força que desfazia as outras três forças. Jules Claretie chamou a esse século, o século “dos jornalistas”, já que estes teriam conseguido, na versão de Cunha, que o público aderisse às suas ideias.

Em Portugal, diz Alfredo da Cunha, só apareceram periódicos de combate político no primeiro quartel do século XIX, devido quer às invasões napoleónicas quer ao influxo das idéias revolucionárias e liberais, em luta com as dos absolutistas. Fundaram-se ainda folhas para defender ou atacar a independência do Brasil, recorda Cunha.

A pressão exercida pelo regime absolutista até 1820 não impediu totalmente, mas dificultou bastante, a importação das inovações revolucionárias traduzidas pela Declaração dos Direitos do Homem, que, no nº XI do seu primeiro artigo, preceituava que todo o cidadão podia falar, escrever e imprimir livremente.

Alfredo da Cunha refere que no século XIX raro era o homem de letras ou homem político que não cultivou o jornalismo e nele não conquistou renome, quando, pelo contrário, no século anterior, os grandes prosadores, poetas, oradores ou políticos, raramente se notabilizaram como jornalistas. Há, no entanto, para o autor, uma pessoa que sobressai na imprensa periódica portuguesa do primeiro quartel do século XIX. É o Padre José Agostinho de Macedo, redactor de diversos periódicos pró-absolutistas.

O autor desta obra, termina o capítulo acerca do século XIX fazendo uma observação pertinente: “Do que não há dúvida é de que a imprensa de parcialidade ou de facção nasceu do embate das idéias liberais com as absolutistas, pois, enquanto estas forem as únicas professadas e predominantes, os periódicos não tiveram, para se desenvolverem e robustecerem na ginástica da discussão, o estímulo da polémica partidária e da controvérsia política”. (p. 162)


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: João Alexandre Nogueira dos Santos
E-mail: joão.nsantos@hotmail.com