Veloso, R. (1911a)

VELOSO, Rodrigo (1911). Jornalistas Portugueses III. Conselheiro Mariano de Carvalho.

Autor: VELOSO, Rodrigo
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação): 1911
Ano de publicação/impressão: 1911
Título completo da obra: Jornalistas Portugueses III – Conselheiro Mariano de Carvalho
Tema principal: Jornalistas e Vida Profissional
Local de edição: Lisboa / Famalicão
Editora (ou tipografia, caso não exista editora): Tipografia Minerva, de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão
Número de páginas: 18

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional
Cotas: HG 15146//3 P


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Rodrigo Veloso nasceu em 1839 e licenciou-se em Direito. Foi advogado, notário (tabelião), jornalista, escritor e editor. Fundou o quinzenário O Fósforo, o Átila e o Tira-Teimas. Faleceu em 1916.


Índice da obra

[Não tem índice]

1ª Parte: Breve introdução à História da Imprensa e seus autores principais: pp. V-XI
2ª Parte: Conselheiro Mariano de Carvalho – sua história e seus contemporâneos: pp. 1-7


Resumo da obra (linhas mestras)

1ª Parte

Ceci Tuera Cela – “isto matará aquilo”, sentença que Victor Hugo formulou quando quis referir-se à superioridade da imprensa sobre a arquitectura, a arte que de entre todas foi a que mais evoluiu, traduzindo nas suas concepções todos os ideais dos povos.

O autor refere que a imprensa, mais precisamente o jornal, foi ganhando terreno ao livro, devido a todas as suas manifestações, relegando-o para interesse e plano secundários.

Estes acontecimentos são fruto da ânsia de se viver melhor e mais intensamente.

Para o autor, a leitura completa de um bom livro deverá ser pausada e meditada e para que isto aconteça as pessoas deveriam manter sempre um espírito aberto e curioso, visto que o tempo reservado a esta leitura é mínimo.

Rodrigo Veloso relata, também, a rivalidade entre os jornais da época, que tentavam sempre inovar e melhorar, de forma a serem os preferidos do público. Nesses jornais não só eram publicadas notícias como também opiniões, para facilitar o trabalho dos leitores, poupando-lhes o trabalho de pensar e formular juízos.

Veloso diz também que a “supremacia” dos jornais sobre o livro não é total, já que os leitores se mostrariam mais interessados nas notícias escandalosas e sensacionalistas do que no próprio noticiário e artigos de fundo. A atenção dos leitores, segundo o autor, inclinava-se para as notícias quando essas eram escritas por certos autores, como Rodrigo Sampaio, Emídio Navarro, Mariano de Carvalho e Barbosa Collen, que captavam e empolgavam o público com a sua escrita.

Por fim, o autor lamenta que alguns textos desses autores sejam apenas publicados em livros, sendo assim quase que esquecidos e condenados a não serem conhecidos pelo público em geral.

2ª Parte

O autor começa por referir e lamentar a morte súbita, em apenas dois meses, de dois grandes homens e mentes da imprensa portuguesa.

O falecimento do Conselheiro Emídio Navarro, em Agosto, causou uma grande surpresa a toda a imprensa. Em Outubro, outro grande nome da imprensa jornalística, Mariano de Carvalho, faleceu.

Segundo Veloso, a imprensa portuguesa por mais rica e opulenta que fosse, sentiria enormemente a falta destes dois autores, jornalistas no sentido mais puro e nobre do termo. Para ele, os dois jornalistas referidos eram de índoles diferentes, mas os efeitos e resultados dos seus textos eram idênticos. A linguagem era igualmente diferente, porém obedecia a algumas a regras e era sempre bem adaptada aos diversos assuntos.

O autor utiliza bastantes metáforas para caracterizar os dois escritores e a linguagem que eles empregavam, tal como: “Argumentadores um e outro, Emídio Navarro seguindo sempre pela estrada real e batida, Mariano de Carvalho enveredando muitas vezes, quando sentia o chão a faltar-lhe debaixo dos pés no caminho coimbrão, pelos atalhos do sofisma e enredando o adversário nos liames deste, eram dois contendores para de todo o ponto respeitar e recear e constituíram no seu tempo os dois mais valentes e peregrinos atletas e mantedores da imprensa política”.

Refere ainda que, com a morte de Emídio Navarro, todos os ódios esmoreceram, ao contrário do que aconteceu com o falecimento de Mariano de Carvalho, que não diluiu todos os rancores sentidos pelos seus inimigos.

Por fim, Rodrigo Veloso revela que com o tempo todos os ressentimentos em relação a Mariano de Carvalho foram desaparecendo lentamente e que a memória que ficou dele, não só como jornalista, mas também como político, saiu das sombras, ocupando um lugar privilegiado na memória da imprensa.


Autor (nome completo): Ana Catarina Almendra Correia de Almeida d’Eça
E-mail: catarina_eca@hotmail.com