Gomes, L. (1925)

GOMES, Luís F. (1925). Jornalistas do Porto e a Sua Associação. Porto: Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Autor: Gomes, Luiz F. [GOMES, Luiz Ferreira]
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1925
Título completo da obra: Os Jornalistas do Porto e a sua Associação
Tema PRINCIPAL: História do Jornalismo
Local de edição: Porto
Tipografia: Empresa Guedes - Porto - 1925
Número de páginas: 212

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota da Biblioteca Nacional: S.C.-6962//1-V
Cota da Biblioteca Pública Municipal do Porto: L3-3-133 (17)


Esboço biográfico sobre o autor

Luiz Ferreira Gomes nasceu a 19 de Janeiro de 1874, no lugar do Corvo, freguesia de Arcozelo, concelho de Vila Nova de Gaia. Quando cursava o liceu, fundou e dirigiu os semanários não académicos O Disparate e O Corvo. Mais tarde (1902), dirigiu o semanário portuense de crítica teatral O Teatro Portuguez. Em 8 de Outubro de 1910, fundou o semanário A Plateia que suspendeu a publicação em 5 de Outubro de 1911. Em 10 de Maio de 1906, ingressou no quadro redactorial do diário portuense Correio do Norte, onde ocupou o lugar de secretário de Redacção até ao fim do jornal, em 1909. Um mês depois, entrou para a Redacção de A Pátria, donde saiu no dia 1 de Maio de 1910, para a Redacção de O Comércio do Porto. Também em 1910, assumiu a direcção da Agência Havas, no Porto. Trabalhou, ainda, na Secretaria da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto de 1917 a 1921 e integrou a respectiva Direcção de 1921 até 1925.


Índice da obra

RAZÃO DE SER DESTE LIVRO (prefácio de Luiz Gomes): p. V
DE COR E SALTEADO (Matos Angra): p. 3
BRIO ALTRUÍSTA – Mitigando lágrimas (Catão Simões): p. 9
EVOLUÇÃO DE UMA IDEIA – Resultados positivos: o grémio da classe (Souza Moreira): p. 17
MEMÓRIAS DE UM ESQUECIDO – Notas sem tom nem som – 1878-1883 (Lopes Teixeira): p. 39
AI, QUE SAUDOSOS TEMPOS! – Jantares da Imprensa que eram de verdadeira confraternização (Marcos Guedes): p. 47
JORNALISMO DE ANTANHO (Alberto Bessa): p. 57
O JORNALISMO NO PORTO – Evocações dum passado que se esconde nas últimas dobras do século findo – Jornaes e jornalistas de há 40 anos para cá (Júlio de Oliveira): p. 67
Como eram feitos os jornaes há 50 anos: p. 69
O Primeiro de Janeiro: p. 71
O Comércio do Porto: p. 77
Jornal de Notícias: p. 79
O Nacional: p. 81
A Independência Portugueza: p. 82
O Progresso Comercial: p. 83
Jornal do Porto: p. 84
O Jornal da Manhã: p. 88
Diário da Tarde: p. 92
A Actualidade: p. 93
O Petiz-Jornal: p. 99
A Discussão / O Comércio Portuguez/A Luta: p. 100
O Dez de Março/A Palavra: p. 102
A Folha Nova: p. 104
A Província: p. 105
O Norte / Diário do Comércio: p. 107
A Voz Pública / A República Portugueza: p. 108
O Alarme: p. 110
Educação Nacional / O Correio do Norte: p. 111
A Montanha / Diário Nacional: p. 113
A Pátria: p. 114
O Norte / O Porto: p. 115
Diário do Norte / A Tribuna: p. 116
Resenha cronológica do jornalismo portuense: p. 117
Jornaes satíricos e humorísticos: p. 125
Rematando: p. 129
JORNAES SATÍRICOS ILUSTRADOS – Apontamentos para a história do jornaes do Porto (Guedes de Oliveira): p. 135

A ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS (Luiz Gomes): p. 143

A fundação: p. 143
Projecto de bases: p. 145
Espírito de classe: p. 148
Espírito de descrença: p. 149
Montepio da classe: p. 150
Os Estatutos: p. 153
Princípios de vida: p. 154
Primeiros socorros: p. 155
A obra de beneficência: p. 157
Benemerência permanente: p. 161
Defeza de interesses: p. 162
Sede social: p. 170
Biblioteca da Associação/Homenagens a Camilo: p. 172
Congressos Internacionaes: p. 174
Liberdade de Imprensa: p. 175
Gerências diversas: p. 176
Utopias e realidades: p. 177
Novo estacionamento: p. 179
Novo ressurgimento: p. 180
Casa própria: p. 181
Carteira de identidade: p. 183
O que deve ser a Associação: p. 189


Resumo da obra

Esta obra, editada pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e “cujo produto reverte a favor da sua Caixa de Socorros e Pensões”, trata de factos e personagens ligados ao jornalismo portuense, no meio século que antecedeu a respectiva publicação (1925). Nela se descreve, pormenorizadamente, os passos que conduziram à fundação da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, a partir de uma reunião de jornalistas, a convite dos redactores de O Comércio do Porto, realizada na noite de 20 de Setembro de 1882, na Sociedade de Geografia Comercial, na Rua Formosa, no Porto. Nessa reunião, foram aprovadas duas propostas: uma, destinada a nomear uma comissão para “promover uma condigna manifestação de sentimento pela morte do ilustre jornalista António Rodrigues Sampaio e que promova uma subscrição para se instituir um prémio que, na escola de instrução primária de S. Bartolomeu do Mar, seja anualmente conferido ao aluno que mais se distinguir na mesma aula”; outra, a sugerir que, na sequência da comemoração da morte “do ilustre decano da imprensa portugueza, se lancem as bases de uma Associação de Jornalistas, que tenha por um dos seus fins principais a creação de um montepio destinado a socorrer as famílias dos jornalistas que faleçam em circunstâncias precárias”.

Menos de um mês decorrido sobre a referida reunião, mais precisamente no dia 13 de Outubro de 1882, no salão nobre do Teatro Príncipe Real, decorreu a instalação solene da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, tendo-se registado, desde logo, a inscrição de 35 sócios. Durante a cerimónia, foram registados vários apoios, entre os quais se destaca: o do dr. Soares Franco, a oferecer os seus serviços médicos aos membros da Associação; e do jornalista e professor António José da Silva Reis, a oferecer-se para ministrar, gratuitamente, o ensino das línguas francesa e inglesa aos filhos dos associados. “Foi assim que, para honrar a memória de António Rodrigues Sampaio, insigne jornalista portuguez, benemérito da pátria e da liberdade, se instituiu no Porto, no trigésimo dia do seu passamento, a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto”.

No dia 13 de Outubro de 1921, a Associação assinalou 39 anos de existência, e foi então que um grupo, auto denominado “Velhada do Jornalismo Tripeiro”, decidiu conjugar esforços para reconstituir quase meio século da vida portuense, no que aos jornais e jornalistas diz respeito. Reconstituição que culminou na publicação desta obra, compilada por Luiz Ferreira Gomes, quatro anos após ter sido lançada a ideia de reunir testemunhos de reconhecida idoneidade, como: Alfredo de Matos Angra, Catão Simões, José António de Souza Moreira, António Maria Lopes Teixeira, Marcos da Silva Nunes Guedes, Alberto Bessa, Júlio de Oliveira e Henrique António Guedes de Oliveira. E é com base nestes preciosos testemunhos que é descrito, com grande minúcia, “como eram feitos os jornaes há cincoenta anos” (finais do séc. XIX e início do séc. XX), desde os tempos de predomínio de O Primeiro de Janeiro (1871) e O Comércio do Porto até ao aparecimento do Jornal de Notícias (1879), após uma fracassada experiência como título de uma gazeta que durou pouco mais de um ano. Eram os três jornais diários da cidade do Porto que tinham as suas posições consolidadas.

A história do jornalismo diário no Porto, contemplada nesta obra (1846-1920), envolve outros títulos (alguns dos quais com uma duração efémera) tais como: O Nacional (1846-1870), A Independência (1877), Progresso Comercial (1873), Jornal do Porto, Jornal da Manhã, Diário da Tarde (1871-1875), A Actualidade (1874), O Petiz-Jornal (1876), A Discussão (1883-1887), O Comércio Portuguez (1876-1879), A Luta (1874-1882), Dez de Março (1879-1889), A Palavra (1872-1911), A Folha Nova (1881-1888), A Província, O Norte (1888-1889), Diário do Comércio (1889-1890), Voz Pública (1891-1894), A República Portugueza (1890-1891), O Alarme (1904), Educação Nacional, O Correio do Norte (1906), A Montanha (1911), Diário Nacional (1883-1884), A Pátria (1909-1911), O Norte (1900-1910), O Porto (1874-1876), Diário do Norte e A Tribuna (1920). Além do destaque dado aos títulos, a obra dá a conhecer alguns dos nomes mais destacados do jornalismo portuense, na época em apreço.

A “Resenha Cronológica do Jornalismo Portuense”, a partir de 1808 e até 1925, refere 202 títulos, sendo certo que muitos deles sofreram interregnos mais ou menos prolongados, reaparecendo com novos editores e, por vezes, também com orientação diferente da anterior. Entre cerca de 70 publicações satíricas e humorísticas, publicadas no Porto, entre 1851 e 1916,o autor destaca as seguintes: O Pirilampo, A Lanterna, O Pist e o Pistarola, O Charivari, O Sorvete, O Serrote, A Maria Rita, O Palito, O Diabo, A Minhoca e Os Pontos. Neste leque de destaques, são referidos igualmente os nomes de alguns jornalistas que se evidenciaram nesta vertente das publicações periódicas.

A obra contempla, também, uma descrição pormenorizada sobre a fundação da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, do respectivo Projecto de Bases e a composição de sucessivos elencos directivos. É referido, de igual modo, o esforço desenvolvido para a constituição do Montepio da classe e elaboração dos Estatutos da Associação., bem como algumas dificuldades, especialmente de natureza económica, sentidas pelos dirigentes para manterem vivo o espírito dos fundadores. São, ainda, postas em evidência as diligências desenvolvidas pelos dirigentes da Associação, em defesa dos jornalistas, designadamente na obtenção de melhores regalias sociais e salariais.

Por último, são referidas as acções empreendidas pelas sucessivas direcções junto dos diversos poderes, para a obtenção de sede própria e a atribuição de uma carteira de identidade para os sócios (garante de alguns benefícios sociais).


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Manuel da Conceição Cardoso Neto
E-mail: mneto2006@gmail.com
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Jornalismo UFP,
29/05/2010, 11:18