Fraga, G. (1958)

FRAGA, Gustavo (1958). As Técnicas de Informação e o Pensamento Contemporâneo.

Autor

FRAGA, Gustavo
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)

Ano de publicação/impressão

1958
Título completo da obra

As Técnicas de Informação e o Pensamento Contemporâneo

Tema principal

Teoria do Jornalismo

Local de edição

Lisboa

Editora (ou tipografia, caso não exista editora)

Revista de Filosofia
Número de páginas

15 Páginas
Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional do Porto
Cotas: S. A. 20639 V.
Biblioteca: Universidade Católica Biblioteca João Paulo II
Cotas: 1(041) SER – 3
Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)
Gustavo Fraga nasceu em 1922 e faleceu no dia 15 de Novembro de 2003 (morreu aos 81 anos). Dedicou mais de 14 anos da sua vida à Universidade dos Açores, desde a sua fundação (1976), aposentando-se em 1990. Atingiu a categoria de professor catedrático em 1981. Com percurso académico, Gustavo Fraga escreveu várias obras e artigos, tendo total interesse na área Filosofia Moderna e Contemporânea, entre outros.
É uma referência na cultura e na filosofia em Portugal, sendo uma das mais destacadas personalidades do mundo académico, na área da filosofia. Exerceu, ao mesmo tempo, o papel de jornalista na capital portuguesa.
Índice da obra

[Não tem índice]

As técnicas de informação e o pensamento contemporâneo: pp. 3-5
A presença da cultura: pp. 5-8
O conceito de massa e outras visões filosóficas do mundo da comunicação e da cultura: pp. 8-10
A transmissão noticiário radiofónico e a educação para a rádio: pp. 10-11
A informação e a difusão de notícias: pp: 11-11
A essência de informar e de ser informado pela rádio e imprensa: pp. 12-14
O papel do jornalista, o agente da humanidade: pp- 14-15

Resumo da obra (linhas mestras)

A obra aqui resumida foi publicada na revista Filosofia. Nela, Gustavo de Fraga discorre sobre as técnicas de informação e o pensamento contemporâneo. Para o autor, considerando “na relação (…) pela copulativa, entre as técnicas de informação e o pensamento contemporâneo”, a informação é vista como uma “técnica restrita” (p.3).
Dirigindo-se apenas às “técnicas” informativas da rádio e da imprensa, o autor fala do pensamento contemporâneo através de “filósofos de cada povo”, ou seja, sobre uma “forma reflexiva” dos dois difusores de informação (rádio e jornais) transmitirem a existência do homem no mundo (p. 4).
Olhando para a rádio e a imprensa “como actividades vitais primaciais”, ambos “encontram eco” nos jornalistas, metamorfoseados em “pensadores” (p. 4).
Reportando-se aos jornalistas, diz que eles são concisos quando se tratar de informar os outros: “o redactor tem de encontrar a sua coordenada exacta (…) sobre a essência do serviço que lhe é entregue (…), dando ou evitando notas emocionais e pessoais, servindo ou não interesses”. Porém, “O repórter pode dominar o acontecimento, vivê-lo” (pp. 5).
Para o autor, a nossa consciência não nos permite conhecer a realidade cultural, “sempre em crise”, fragmentada e múltipla, o que tem reflexos no jornalismo.
Num segundo ponto da sua obra, o autor reflecte sobre o conceito de “massa”, contrapondo a posição de Ortega y Gasset, de massa como homem médio, ao conceito de massa de Jaspers, do homem indiferenciado. A comunicação social usaria duas linguagens para lhe chegar: a da tranquilidade e a da sedição.
O terceiro ponto do texto de Gustavo de Fraga realça as conexões entre a rádio e a imprensa:

“Apesar da tendência que se regista em todo o mundo para transformar os serviços de radiodifusão em serviços públicos, dotados de funcionários privativos, são evidentes as relações entre a informação da rádio e a informação da imprensa. Como na empresa de imprensa diária, a rádio precisa de ter montada a sua informação para funcionar com relativa independência, e até, pró vezes, prevê o contrato como meio de obter jornalistas qualificados para execução dos programas informativos.” (p. 10)

Para o autor, a rapidez com que se tem de fazer uma notícia para rádio e o facto de esta ser oralizada e imediatamente escutada por milhões de ouvintes “não justifica o traçamento de um fosso entre a rádio e a imprensa” (p. 10). Ainda assim, Gustavo de Fraga explica que a rádio “exige uma educação (…) do jornalista, com atenção às exigências da palavra dita” (p. 10). Porém, a rádio também exigiria uma educação por parte do público, “que só se consegue efectivamente a partir dum determinado nível de cultura” ou do hábito. Quando o público não é educado para ouvir rádio, poderiam, na versão de Gustavo de Fraga, ocorrer “mal-entendidos”, provocados pela audição imperfeita de notícias, por mais clareza com que estas tenham sido escritas e ditas. A educação para a rádio, de acordo com o autor, teria de começar nas escolas, conforme ocorria já em vários países.
O ponto seguinte do trabalho de Fraga desenvolve-se em torno do conceito de trocas informativas e dos processos culturais, agregadores ou desagregadores, que essas trocas desencadeiam. Para tecer o seu raciocínio, Fraga recupera o conceito de massa de Gabriel Marcel (“humano degradado”) para mostrar que não é possível uma educação das massas, somente das pessoas, porque as massas, tal como pretendia Jaspers, são seduzidas pela propaganda e fanatizáveis. Por isso, Marcel, citado por Fraga, desconfia da rádio, sedutora, tal como dela desconfia Joseph Roth, que lhe atribui um papel satânico. Mais: “O privilégio da omnipresença que a rádio empresta aos homens poderá conferir a uma inteligência (…) universal um papel eminente, mas (…) a facilidade de o homem transcender a sua condição sem esforço, pelo meio técnico, facilita a degradação” (p. 11). Diga-se, porém, que Jaspers, parafraseado por Fraga, tem uma concepção neutral das técnicas de divulgação e de informação e até as vê com certo optimismo, ao contrário de Marcel, pois considera que os meios de comunicação abrem “possibilidades insuspeitadas” ao homem.
“O privilégio da omnipresença que a rádio empresta aos homens poderá conferir a uma inteligência verdadeiramente universal um papel eminente, mas o que acontece é que a facilidade de o homem transcender a sua condição sem esforço, pelo meio técnico, facilita a degradação. O dom prodigioso da ubiquidade perde a sua virtude ao ser atribuído a um homem qualquer” (p. 12), diz Gustavo de Fraga, acentuando que o facto da rádio ser escutada, genericamente, por homens comuns (a “massa”) lhe retirar parte das suas potencialidades mais positivas.
Gustavo Fraga aponta que Marcel e Jaspers dão importância à comunicação, tendo ambos participados activamente nos periódicos e emissoras do seu tempo. “Alcançaram a familiaridade do microfone”, salienta o autor. No seguimento da apresentação desta proposição, Fraga cita, mais uma vez, Jaspers, segundo o qual o jornal se converte “como ideia na possibilidade duma realização grandiosa da cultura das massas, recria, por assim dizer, uma nova dimensão, a consciência da época, espalhando o que sem ele seria apenas património de alguns.”
Qual seria, então, o trabalho de um jornalista consciente, na versão de Fraga? O de traduzir o mundo “em termos simples e acessíveis na linguagem simples da informação” e o de intervir “nas ideias que os homens têm como massa”, pelo que é “digno do maior respeito” (p. 12) Além disso, “O jornalista participa na criação do momento, emprestando o verbo ao «agora».” (p. 12)
O jornalismo, porém, enfrenta, de acordo com Gustavo de Fraga, dois grandes perigos: subordinar-se às exigências da massa e dos poderes político-económicos. Quando ambos confluem para o jornalismo, e triunfam, causam a degradação da informação. “Por isso, já que sem imprensa, sem informação, o mundo moderno não pode viver”, é preciso, clama Fraga, reconhecer o “magistério” do jornalista sobre as massas.
No desfecho do livro, Augusto Fraga coloca em evidência quanto os pensadores modernos reflectiram sobre a informação. Para ele, “a imprensa e a rádio constituem diariamente a teia intersubjectiva da consciência da época”, pelo que “o jornalista é um dos mais categorizados e responsáveis funcionários da humanidade”. Mesmo que as condições técnicas condicionem a expressão, o jornalista, prossegue Gustavo de Fraga, “está na vanguarda de todos os que mantêm despertas as possibilidades de reacção do ser humano disperso na massa, se tomar consciência (…) da missão a que é chamado”.
Sintetizando a sua posição, Gustavo de Fraga afirma: “A informação exige (…) um elevado grau de cultura e de reflexão dos espíritos. (…) A chamada ao humano é sempre possível, dentro de condições éticas em que o jornalismo tenha presente a condição do homem como consciência” (p. 14). Embora reconheça as pressões sobre a actividade jornalística e os receios decorrentes da omnipresença dos media e da atenção que estes despertam, bem como da “emotividade comunicativa” da rádio, o autor salienta que “O jornalismo será sempre em grande parte o que for o jornalista, dependerá (…) da sua maturidade cultural e do seu escrúpulo e sentido de responsabilidade.” (p. 15) Mesmo o conceito de massa não pode representar, para Fraga, um homem “anti-humano e antipessoal”.
Para encerrar, o autor diz: “Mundo de aventura e de novidade que o é, o jornalismo é transmissão e recriação por um meio próprio de expressão (…). Quem não adivinhará nele uma nova forma de contacto pessoal, reduzindo distâncias, repondo um pouco o homem moderno na cena gigantesca dum mundo com que pode entrar em contacto, criando uma cena (…) análoga à da pequena praça ateniense.” (p. 15)

Autor (nome completo): Carla Sofia Amaro de Assunção
E-mail: camaro11@hotmail.com

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Jornalismo UFP,
28/05/2010, 14:37