Trigueiros, L. (1963)

TRIGUEIROS, Luís Forjaz (1963). Função Social e Cultural dos Meios Audiovisuais na Informação.

Autor: FORJAZ TRIGUEIROS, Luís
Ano de elaboração: 1963
Ano de publicação/impressão: 1963
Título completo da obra: Função Social e Cultural dos Meios Audiovisuais na Informação
Tema PRINCIPAL: Teoria do Jornalismo
Local de edição: Lisboa
Editora: Agência-Geral do Ultramar
Número de páginas: 45

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Nacional: S.A. 27919 V.
Cota na Biblioteca Pública Municipal do Porto: E7-8-31(2)


Esboço biográfico sobre o autor

Nascido em Lisboa em 1915, Luís Forjaz Trigueiros foi contista, cronista, ensaísta e crítico. Desempenhou o papel de director do Diário Popular entre 1946 e 1953 e colaborou na página literária do Diário de Notícias. A partir de 1984, dirigiu o Centro de Estudos Luso-Brasileiros do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Homem de teatro, foi um dos fundadores do Teatro Experimental de Lisboa e colaborou no Dicionário de Teatro Português, dirigido por Luís Francisco Rebello. Foi director literário de empresas editoras de Lisboa e do Rio de Janeiro.

Dirigiu, em 1965, uma Antologia da Terra Portuguesa em dezanove volumes – com Cabral do Nascimento, Urbano Tavares Rodrigues, Jaime Lopes Dias, Magalhães Bastos, Vasco Miranda, David Mourão-Ferreira, A. Côrtes Rodrigues, Tomaz Ribas e outros -, quatro dos quais são dele: O Minho, África Portuguesa, Macau e Timor. Organizou, também, as antologias Raul Brandão (1960) e O Natal na Poesia Portuguesa (1987). Sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Filho do contista Luís Trigueiros e irmão do poeta Miguel Trigueiros, faleceu na mesma cidade onde nasceu, no ano 2000.


Índice da obra

[Não tem índice]

Breve introdução da matéria a ser analisada no I Curso de Férias para estudantes Ultramarinos: pp. 5-10
Os três meios de comunicação e a sociedade: pp. 10-13
Impacto da Rádio e da Televisão (no meio noticioso): pp. 14-21
A utilização da Televisão para fins educacionais; A Censura e a Publicidade nos meios de comunicação: pp. 22-28
O uso dos meios comunicativos para divulgação da Cultura: pp. 29-36
Os meios de comunicação como interacção com a sociedade: pp. 36-45


Resumo da obra (linhas mestras)

Este livro é uma versão escrita da lição do I Curso de Férias para Estudantes Ultramarinos, que teve lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa, orientada por Luís Forjaz Trigueiros. Este define o curso de férias como “pretexto para um notável inventário de valores nacionais na análise de temas em que a significação e utilidade se confundem com a actualidade no presente e a importância no tempo”, mostrando ainda o agrado por este “acentuar o carácter ético, social, científico e histórico da matéria deste curso de férias” (p. 5). O autor refere, ainda, a sua passagem por outro meio de comunicação (a imprensa), não para análise detalhada neste curso de férias, mas sim para referir a importância que teve no decorrer da sua vida, como homem apaixonado pela Comunicação.

Perante a sua vivência marcante nos meios de comunicação audiovisuais (Emissora Nacional e Rádio-TelevisãoPortuguesa), o autor afirma que a relação entre locutor e ouvinte ou apresentador e telespectador é cada vez mais relevante, pois apesar de o contacto entre ambos não ser directo, deve haver diálogo entre os intervenientes. Sendo assim, e chamando-lhe de “observação de um espectador de dentro”, Luís Forjaz Trigueiros afirma que os apresentadores e jornalistas de rádio e televisão têm de abandonar um tom oratório, categórico, recorrendo, ao invés, a um estilo que propicie proximidade com o ouvinte ou telespectador (p. 8). Como apresentador, Trigueiros diz que aprendeu que os telespectadores e ouvintes estão também à espera de cordialidade.

Dividindo os três meios de comunicação como três épocas de civilização diferente (oral, escrita e visual), o autor constata que, quer na Imprensa, quer na Rádio, a pessoa pode escolher o seu conteúdo, uma vez que lhe é possível comprar o jornal que quer ou ouvir a rádio que quer. Mas sublinha que com a introdução da Rádio, pela sua “imediatitude na transmissão na recepção”, há uma clara mudança do que é a transmissão tradicional de informação, habituada a séculos de aperfeiçoamento da imprensa. Logo, para o autor a Rádio deve ser um objecto de estudo para a Psicologia. No entanto, para Forjaz Trigueiros, a adaptação do meio televisivo à sociedade terá sido bastante mais fácil do que a adaptação ao meio radiofónico (pp. 10-13).

Recorda o autor que, uma vez inserida a Rádio na sociedade, foi altura de modelá-la ao seu público (segmentação das audiências), tendo então emergido as várias estações, que surgiram para os vários grupos sociais, com vários programas, música e informação (p. 14). Aliás, segundo Trigueiros, tal não só aconteceu só na Rádio, mas também na Televisão. Porém, a Televisão, relembra Trigueiros, tem um dom suplementar à Rádio: a Imagem. Esta, segundo o autor, é capaz de captar muito mais a atenção de um telespectador, não importa o quanto a palavra for boa e cativante.

Pegando na notícia, e no que ela representa nos dois meios, a Rádio tem, metaforicamente falando, continua Forjaz Trigueiros, um “duplo trabalho”, pois precisa de captar a atenção dos seus ouvintes, tornando a notícia apelativa e importante de a ouvir, sem cair no ridículo da enfatização excessiva. Já a Televisão, continua o autor, irá ter uma tendência de utilizar o factor “em directo” para transmitir os acontecimentos, gerando uma mais-valia de importância para os mesmos. Pelo contrário, salienta Luís Forjaz Trigueiros, as notícias sobre factos passados ou sobre factos que ainda se vão realizar cairão, no que à televisão diz respeito, num campo que apelida de “necrológico” (pp. 15-21)

A televisão, explica Trigueiros, é importante para mobilizar as pessoas, mas também pode ser usada com fins educativos, desde que com “responsabilidade”. No entanto, argumenta o autor, o poder da televisão levou os estados, um pouco por todo o mundo, a procurar controlá-la, de forma algo “excessiva”e “despropositada” (pp. 22-23), embora, reconhece Trigueiros, haja programas de televisão e de rádio, que, mesmo passando por algum tempo de indiferença, podem fanatizar as massas. Luís Forjaz Trigueiros sugere, ademais, que a repetição de palavras, slogans, símbolos, sinais, mitos, pode influenciar directamente o ouvinte (p. 26). Ainda assim, Trigueiros reconhece que as pessoas em geral conseguem manter a sua própria opinião face aos conteúdos que lhe são apresentados, recusando, aparentemente, atribuir à televisão um poder omnipotente na manipulação das consciências.

Trigueiros diz que a inexistência de imagens na rádio pode ser um trunfo, desde que com o som se fomente a imaginação do ouvinte. Além dessa, para ele, “uma das grandes dificuldades do jornalismo falado, na rádio, será (…) a de conseguir vitalizar uma notícia seca, autenticar, tornando-a presente, o relato dum acontecimento sempre frio em seu monótono enunciado, por mais emocional que seja o conteúdo da notícia a transmitir. Até porque se sabe que uma notícia sensacional não pode ser transmitida em tom sensacional, o que correria o grave risco dum ridículo irremediável. Um perfeito equilíbrio de exposição, servido por uma articulação perfeita, uma exacta noção subtil da modulação de voz, que discretamente sublinhe o carácter trágico ou irónico dum texto – eis uma qualidade indispensável ao locutor da rádio.” (p. 17)

Ao contrário do que sucede com a rádio, para o autor “a função da TV é acima de tudo mostrar” (p. 18). Assim sendo, em matéria de telejornalismo, “Se (…) o público deseja cada vez mais ser cabalmente informado (…) com amplidão e síntese (…), quer também ser informado com clareza, tanto mais que (…) a instantaneidade dessa informação não deixa grande margem para reflectir sobre ela. Por isso, a reportagem directa do acontecimento, facilitada já hoje com os emissores transportáveis, com as câmaras portáteis ou mesmo telecomandadas, continua a ser a página principal – e sê-lo-á cada vez mais – desse jornal vivo que é a televisão. Se na rádio a transmissão duma cerimónia (…) foi já uma aquisição primordial, apenas dependendo a sua possibilidade da comunicação com o ouvinte, (…) da natureza do acontecimento, (…) da sua apresentação (…) e da sua inteligente dosagem, poupando-o à monotonia de longos discursos e interrompendo estes, por exemplo, com o recurso ao resumo intercalado, na televisão a grande reportagem, embora ainda influenciada, conforme os casos, por certo tom jornalístico (quanto à locução) e cinematográfico (quanto à sequência das imagens), tom que naturalmente aos poucos irá perdendo, virá a ser a sua forma superior de informação, e a mais representativa.” (p. 19)

Outro dos pontos abrangidos pelo autor prende-se com a problemática da censura. Trigueiros considera “legítima” a luta pela liberdade de imprensa e contra a censura política por parte dos jornalistas, mas relembra que existem outras formas de censura, nomeadamente as “pressões e interesses (…) da própria empresa proprietária [do órgão jornalístico]” e “os interesses comerciais da publicidade” (p. 27).

Sobre a publicidade, o autor também é categórico. Reconhece que ela é necessária porque as empresas jornalísticas lutam pela sua rentabilização. Diz, porém, que a repetição das mesmas fórmulas publicitárias e dos mesmos anúncios fatiga o público, pelo que, no futuro, seria possível, correspondendo ao gosto do público pelo espectáculo, substituir os anúncios por programas com um nível artístico acumulado (concertos, concursos didácticos e recreativos). Porém, explica o autor, a má utilização da Publicidade e uma deficiente interpretação dos seus fins podem ser “nocivas” e “hipnotizantes” para o telespectador (pp. 27-29).

Passando, seguidamente, para o assunto “Cultura”, o autor enaltece o papel da Televisão e Rádio na promoção e revitalização cultural. Relembra, inclusivamente, que a televisão e a rádio levam cultura aos letrados e iletrados, mas para serem bem sucedidos nessa matéria necessitam de cultivar um estilo adequado a todos os públicos.

Ainda a respeito da influência dos meios de comunicação na Cultura e na Sociedade, o autor conta dois episódios, ambos na Rádio, pois este acredita que este meio tem algo mais do que a Televisão, no que toca à expressão cultural. Num dos seus programas na Rádio, Luís Forjaz Trigueiros verificou que só após adicionar música de fundo e uma voz feminina ao seu programa de leitura de poemas é que este ganhou maior reconhecimento entre os ouvintes. Num outro programa, o simples facto de o locutor ter uma peculiar pronúncia madeirense, cativou mais ouvintes. Tudo isto, e em jeito de conclusão, para afirmar que os meios de comunicação (principalmente a Rádio e a Televisão) desempenham um papel que já não passa indiferente à sociedade, pois constituem cada vez mais uma forma de informação e entretenimento massiva, para todos os segmentos do público. Segundo o autor, os meios serão inclusivamente cada vez mais importantes e o mundo, sem eles, tornar-se-ia quase “inabitável”.


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Ricardo Jorge Oliveira Nunes
E-mail: 17066@ufp.pt
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Jornalismo UFP,
13/06/2010, 16:57