Borges, F. (1900)

BORGES, França. (1900). A Imprensa em Portugal (Notas dum Jornalista).

Autor: BORGES, França
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1900
Título completo da obra: A Imprensa em Portugal (Notas de um Jornalista)
Tema PRINCIPAL: Ética, Direito e Deontologia do Jornalismo/Liberdade de Imprensa.
Local de edição: Porto
Editora: Tipografia A Vapor da Empresa Litteraria e Typographica
Número de páginas: 32

Cota na Biblioteca Nacional e noutras bibliotecas públicas
Cota na Biblioteca Municipal do Porto: COR-973
Cota na Biblioteca Nacional: H.G. 16934//5 P. H.G. 16987//6 P.


Esboço biográfico sobre o autor

França Borges nasceu em Sobral de Monte Agraço, a 10 de Janeiro de 1871, filho de António Ribeiro Borges e Cândida Borges França, tendo vindo a morrer em Davos-Platz (Suiça), a 5 de Novembro de 1915. Realizou os seus estudos no Colégio Luso-Brasileiro e mais tarde prosseguiu-os na Escola Nacional.

Começou por trabalhar como funcionário público, na repartição de Fazenda Pública, em Sobral de Monte Agraço. Pertenceu à Maçonaria, iniciado na Loja Montanha em 1901, com o nome simbólico de Fraternidade. Pertenceu, ainda, à Loja Justiça e presidiu à Loja O Futuro (1905), tendo alcançado o 7º grau do Rito Francês, em 1914. Foi presidente da Associação do Registo Civil, membro do Directório do Partido Republicano e deputado em 1912. Caracterizado por ser um jornalista rebelde, França Borges teve vários problemas ao longo da sua vida, tendo sido preso e exilado em algumas ocasiões.


Índice da obra

[Não tem índice]

Estado da Imprensa – corrupção da polícia, falta de liberdade de imprensa e o corregedor Veiga: pp. 3-5.
II: Esquadra inglesa e aliança luso-inglesa: pp. 6-7
Página de O Mundo não publicada com alusões à opressão inglesa sobre Portugal: pp. 8-28
O crime nas escadinhas da Mãe d’Água: pp. 29-31
A revolta de França Borges: pp. 31-32


Apesar de não ter índice formal, o autor incluiu na capa da obra o seguinte sumário:

O fim desta publicação
Interesse das questões da imprensa
O regime do jornalismo em Portugal
O que se sabe e o que não se sabe
Jornais dirigidos pelo juiz Veiga
O caso José de Macedo
A esquadra inglesa em Lisboa
Uma injúria à Inglaterra
O que se dizia numa página de jornal que saiu em Branco
O drama das Escadinhas da Mãe d’Água
ordem do juiz Veiga à imprensa
A reportagem em Lisboa
O cúmulo
Consequências do precedente
O que a imprensa fez e o que devia fazer
Protesto


Resumo da obra (linhas mestras)

Esta obra retrata as dificuldades e as imposições do regime regulatório da liberdade de imprensa escrita que os jornalistas do final do século XIX/início do século XX enfrentavam. Escrito na noite de 10 para 11 de Dezembro de 1900, França Borges fala, nele, da apreensão de jornais que se opõem à polícia e em especial ao juiz corregedor Veiga, que, segundo o autor, vigiava o que podia e não podia ser escrito pela imprensa.

França Borges realça que a censura à imprensa impede o público de conhecer acontecimentos “gravíssimos” ocorridos em Portugal.

O impulso para a elaboração do texto ocorreu, revela França Borges, quando um jornalista foi preso e acusado de ser socialista. Só o jornal de França Borges (O Mundo) escreveu a notícia, tendo sido obrigado mais tarde a apagá-la, em mais um episódio de censura à imprensa.

A visita a Portugal de uma Esquadra inglesa, capitaneada pelo Almirante Rawson para a renovação da aliança luso-inglesa e o modo como a imprensa portuguesa descreveu os factos é outro dos pontos visados pelo autor. Segundo ele, os órgãos e jornais “do Governo” descreveram os ingleses como um povo exemplar, dizendo ainda que as relações entre os dois países sempre foram honrosas e muito boas, quando para França Borges isso não passa de pura ilusão e manipulação da imprensa. França Borges Passa então em revista vários acontecimentos que ilustram o seu ponto de vista: o Ultimato Inglês, o Tratado de Methuen, etc. Essa recapitulação das “injúrias” da Inglaterra a Portugal deveria, segundo o autor, ter sido publicada n’O Mundo de 7 de Dezembro de 1900, mas o jornal foi impedido de o fazer pelo censor, o juiz corregedor Veiga.

França Borges recorda ainda um outro episódio de censura à imprensa: no dia 8 de Dezembro, Pinto Coelho matou Alberto O’Neill nas escadinhas da Mãe d’Água, tendo sido preso no mesmo dia. O próprio juiz corregedor Veiga encarregou-se de divulgar à imprensa o que se passou, alegando “motivos familiares”, não permitindo que os jornais divulgassem que se tratou de uma vingança por motivo de adultério.


Nome completo do autor da ficha bibliográfica: Simão Pedro Machado da Silva Fonseca
E-mail: slam0@hotmail.com
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Jornalismo UFP,
27/05/2010, 10:12