Carvalho, F. (1940)

CARVALHO, Fernando Tavares (1940). A Opinião Pública. Palestra Proferida ao Microfone da Emissora Nacional.

Autor(es): Fernando Tavares de Carvalho
Ano de elaboração (caso não coincida com ano de publicação)
Ano de publicação/impressão: 1940
Título completo da obra: A Opinião Pública
Tema principal: Liberdade de Imprensa
Local de edição: Lisboa
Número de páginas: 14

Cota na Biblioteca Nacional e eventualmente noutras bibliotecas públicas
Biblioteca: Biblioteca Nacional Cotas: HG16784//12V


Esboço biográfico sobre o autor ou autores (nascimento, morte, profissão, etc.)

Fernando Tavares de Carvalho distinguiu-se como notarialista.


Índice da obra

A defesa da opinião pública………………………….pp. 2-4
A reacção individual e colectiva……………………..pp. 5-6
Os actos do Governo………………………………….pp. 9
A “defesa” do art. 22 da Constituição…………………pp. 10-11


Resumo da obra (linhas mestras)

O livro em questão refere-se ao artigo 22º da Constituição Política da República Portuguesa em vigor no Estado Novo que estabelecia a importância da opinião pública para o bom funcionamento da administração e da política do país, assim como estabelecia o que ao Estado incumbia no sentido de salvaguardar o bem-comum.

O autor do texto justifica-se e aponta algumas causas que poderão estar na base da qualidade da opinião pública e que se prendem com as questões culturais e hábitos enraizados.

O autor explica que a defesa do Estado “contra a desorientação da opinião pública”, deve pertencer não só ao Estado, mas também aos “portugueses de fé e coragem”.

Para ele, “A feição mental de cada português é falar, não sobre o que, «o seu espírito lhe ditou», mas sobre o que, no lar, na rua ou no escritório, «ouviu dizer», e a sua feição psíquica manifesta-se por um forte contingente de criticomania, quando não o esmaga o sentimento da paixão, da bravura ou da generosidade”.

Segundo Fernando Tavares de Carvalho, o português “não resiste a que as virtudes se lhe transformem no hábito dasatencioso da crítica impenitente, com todo o seu cortejo de ditos irónicos, gracejos mordentes ou risadas escarninhas. E isto fá-lo com habilidade tão comunicativa ou com espírito de tal forma cintilante, que não tarda em conseguir em conseguir adeptos na campanha de demolição sério-cómica.”

Assim, o autor explica que:

“Do entrechoque do «ouvir dizer» por sistema com o «dizer mal» por temperamento, resulta uma das causas da «má qualidade» da nossa opinião pública: a verificação de que, quando a matéria é acessível, se faz espírito, e bom espírito – do melhor; e a de que, quando a matéria se eleva acima dos normais conhecimentos, se faz azedume, e mau azedume – do pior. Com este azedume este espírito se tem o povo desentendido sobre o valor das palavras, e se tem construído, algumas vezes, a história de certos actos do governo.

Por outro lado, o carácter de determinados conflitos internacionais, a que, no campo das realidades, não se tem deixado de assistir, os teoremas de certas fantasias que, no campo das hipóteses, à volta desses conflitos não se tem deixado de formular, e, sem dúvida, a desinteligência entre os que alguns pretendem que esses conflitos venham a ser e o que outros julgam, talvez com mais razão, que eles, no seu conteúdo, têm sido – favorecem também, por igual modo, este estado doentio da opinião pública que vive, intranquila, na ignorância da resolução de várias incógnitas para que não valem perspicácia, experiência ou conhecimento prático dos homens e das coisas. E esta circunstância será talvez a única que poderá validamente desculpar o apatriotismo em que se resolve a inquietação da nossa opinião pública.”

Para o autor, os portugueses protestam, assim, muitas vezes sem razão e em desconhecimento de causa contra os actos do governo.

O autor diz, porém, que “o público não dispensa que o elucidem sobre o valor das palavras para que possa aperceber-se de certos actos do Governo.”

O autor conclui o seu texto, extraído de uma conferência que fez na Emissora Nacional, sublinhando que, “não deve a «defesa» do art. 22º da Constituição incumbir só ao Governo em prol da opinião pública, mas também aos «portugueses de fé e coragem» em prol do Governo. Em verdade, não se percebe porque é que uns hão-de obstinadamente desmentir, em face de outros, o que todos andam fartos de ter visto. (…) Seríamos (…) infinitamente mais justos se abríssemos um pouco mais os olhos para admirarmos o que se tem feito, e se abríssemos um pouco menos a boca para repetirmos o que se tem dito.”


Autor: Mauro Marques
E-mail: 18123@ufp.pt

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Jornalismo UFP,
27/05/2010, 20:14